June, 23
Mas eu me lembro, eu me lembro. As escadarias passavam depressa enquanto meus pés corriam mais do que nunca - pressa pra chegar a lugar algum. Me deparei com o carrossel que se movia lentamente mas ainda não sabia da dimensão daquelas ruas. Era um sentimento engraçado mas naquele tempo eu ainda não nomeava emoções e isso não me desmanchava por dentro… Me preenchia.
Era verão e eu me lembro, eu me lembro. O céu era azul e nada nunca foi mais bonito na minha existência. O aroma daqueles dias não era de chuva ou de grama, era de vida, e a vida nunca se fez tão presente em mim.
É porque na verdade nada se compara ao espírito livre de um viajante. A aventura e as maravilhas de ser um cidadão do mundo e pertencer apenas a si próprio.
Começo então a me sufocar porque quando lembro dessa liberdade que tanto almejo, lembro também que ela escapou as minhas mãos. Quero-a tanto mas não posso tê-la; quero devorar a vida mas cada vez que tento sou ainda mais acorrentada.
Até quando?
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