Eu acho que não sei escrever sobre o mundo. Sou tão intimista, egoísta e alheia das outras realidades externas a mim que simplesmente não sei me enxergar nelas.
Sou inteiramente o que me enxergo.
Mas o que enxergo?
(...)
E então os espelhos se quebraram e o vazio perpétuo sobrou de uma angústia quase sufocante. Não sabia o que era senão sua imagem física daquele vidro que reflete a gente.
Os espelhos se quebraram e não dava para atravessá-los mais, para aquela outra realidade atrás do que existe aqui - a fuga dos que se perderam e se entregaram demais para encontrar qualquer outro caminho que não levasse à escolha própria.
Mas encarar o fato intrínseco de se aceitar e enquanto isso ter que lidar com rejeições alheias é como ácido - corrói tão fundo que chega a doer na alma.
É sentir o prazer e depois ter de vê-lo sendo arrancado, desmanchado e dilacerado diante de sua já esquecida felicidade.
Os espelhos se quebraram mas sobrou também a descoberta - de se enxergar não só como parte viva do mundo, mas como o mundo em si. Porque existem tantos universos quanto são as almas que vagam pelo universo de deus, e a única realidade é aquela que se planta em si mesmo.
Não há outras, não há nada - só a realidade plantada no seu universo e o milésimo de segundo instantâneo e vazio que já se esgotou enquanto se pensava na existência dele.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Fim de setembro
É o silêncio que agora me assusta. Venho com esse aperto constante no coração e que parece me consumir por inteira quando eu me deixo levar pelas imagens refletidas e as expectativas não completas.
O dia está nublado hoje - faz tempo de chuva e muito calor numa época alheia à temperaturas ardentes. O céu está fechando e algumas gotas já vão se desprendendo das nuvens. Ouço um trovão, sim, agora, nesse instante. Ah! O externo me assusta tão pouco...
Mas que mistério o tempo! Fico intrigada mas já não paro para pensar nele. No entanto pude presenciá-lo assim de pertinho outro dia. A imagem que eu tinha guardada se desfez em tantos pedaços quanto os fios de cabelo que ainda restavam.
E que seja assim o fim da vida, mas que não seja o fim!
Eu não sei como me expressar...
E agora está chovendo demasiadamente. Gotas pesadas molhando a cidade...
O dia está nublado hoje - faz tempo de chuva e muito calor numa época alheia à temperaturas ardentes. O céu está fechando e algumas gotas já vão se desprendendo das nuvens. Ouço um trovão, sim, agora, nesse instante. Ah! O externo me assusta tão pouco...
Mas que mistério o tempo! Fico intrigada mas já não paro para pensar nele. No entanto pude presenciá-lo assim de pertinho outro dia. A imagem que eu tinha guardada se desfez em tantos pedaços quanto os fios de cabelo que ainda restavam.
E que seja assim o fim da vida, mas que não seja o fim!
Eu não sei como me expressar...
E agora está chovendo demasiadamente. Gotas pesadas molhando a cidade...
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Às margens da minha existência eu fui me deixando, poluindo as águas claras e brilhantes que um dia me preenchiam... de beleza e felicidade. Pisquei os olhos e estava sentada sozinha, me amargurando toda, lembrando de como a vida me fazia bem. Senti a dor, rasguei a pele, deixei as águas agora turvas escorrerem pelo meu rosto.
Ah, meu rosto com marcas do tempo! Quase 20 anos e nenhum sinal de vida - As expectativas quebradas e a realidade pedindo carona. Meu sorriso seco, falso, digno de rendição e complacência acompanhando meus olhos, perdidos no horizonte do mundo que me apresentam agora e não é nada como eu sonhava.
Sentir a dor é o que eu preciso pois sofrer é para os fortes. Viver é sofrimento alheio à algumas pequenas felicidades instantâneas, e viver, de verdade, é para os que insistem.
Insistir em ser, em explorar, em se impor. Desejos e ilusões são fantasias infantis de um mundo que desmorona quando se pega sentado, mirando o destino e não vendo nada senão o momento ínfimo desse instante.
Ah, meu rosto com marcas do tempo! Quase 20 anos e nenhum sinal de vida - As expectativas quebradas e a realidade pedindo carona. Meu sorriso seco, falso, digno de rendição e complacência acompanhando meus olhos, perdidos no horizonte do mundo que me apresentam agora e não é nada como eu sonhava.
Sentir a dor é o que eu preciso pois sofrer é para os fortes. Viver é sofrimento alheio à algumas pequenas felicidades instantâneas, e viver, de verdade, é para os que insistem.
Insistir em ser, em explorar, em se impor. Desejos e ilusões são fantasias infantis de um mundo que desmorona quando se pega sentado, mirando o destino e não vendo nada senão o momento ínfimo desse instante.
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