segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dezembro, 31

Não sei como contar. Tento organizar as palavras e nada - A única imagem que me vem à cabeça são aqueles olhos infinitos que compartilharam sua existência comigo.
Tentei  me conter, tentei não chorar, eu juro. Mas foi quase inútil minha tentativa - As lágrimas desceram como um rio, deliberadamente sem direção. Eram lágrimas felizes porque estavam expostas. Naquele momento, num ínfimo instante que mudou meu mundo, eu estava exposta e tudo estava exposto. Ele estava exposto à mim também.
Ah, o silêncio do encontro!
É tão difícil se concentrar, se puxar de volta ao chão. Porque tudo de repente só faz sentido dentro daqueles olhos e não há nada mais perfeito no mundo; nada mais completo.
E se eu quisesse mesmo descrever esse momento - coisa que eu talvez nem queira porque é de uma intimidade tão nossa - eu diria que é como a morte. A morte seguida de uma ressurreição das suas próprias cinzas. Eu me matei naquele momento para ressurgir como amor; como vida compartilhada.
Foi lindo, lindo. De uma emoção assim quase que universal. Eu me senti infinita porque o nosso amor é infinito, e tudo que viveremos vai ser eterno.
Eu estou tentando contar, mas acredite, não está funcionando. Não estou conseguindo traduzir o que senti, muito menos a energia daquele encontro, daquele olhar, daquela conversa.
Acho que é algo de só se sentir mesmo.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Shine on,

You crazy diamond.

E o mundo não acabou (Das coisas que aprendi em 2012)

(...)

Fiquei meio chateada quando o mundo não acabou. Eram tantas expectativas para o apocalipse, tantos desejos que foram jogados fora em vão. Eu fiquei chateada porque não sei ao certo se queria mesmo a vida ou se queria uma desculpa para poder ir embora dignamente. Se o mundo acabasse iríamos todos embora juntos, e isso seria digno de uma morte. Não seria como suicídio.

De qualquer maneira estamos hoje em 22 de dezembro de 2012 e o mundo não acabou ontem. Está na hora de desfazer as malas e se aprontar pra ficar mais um pouco, pra enfrentar 2013.

E das coisas que aprendi em 2012, algumas delas foram tão simples e outras muito confusas - assim como eu.
Eu aprendi que crescer é difícil;
Que os momentos mais importantes são os que parecem menos significantes. São aqueles bem cotidianos mesmo - são os cafés em manhãs chuvosas e os eu te amo mais inesperados.
Aprendi que eu preciso estudar mais se quiser ser uma boa bióloga;
Aprendi que o ato de viver é intrínseco a cada segundo que você respira, e não só aos momentos que você considera importantes;
Aprendi a ver a generosidade e a ser generosa;
Aprendi a ver a morte; chorei por ela, mas aprendi a vê-la;

Não queria que tantos aprendizados fossem em vão.
Acho que o que eu mais quero pra 2013 é conseguir levar toda essa bagagem de 2012 de um jeito inteligente, racional, de uma forma que eu os aproveite bem em 2013.

E que venha o ano novo!



2012?

Eu poderia começar a falar em alegrias e desesperos mas eu acho que ainda vou falar de esperança. Porque agora, assim nos últimos suspiros de 2012, eu percebo que nunca é tarde para se senti-la.
O meu ano foi conturbado. Não tenho outra palavra para descrevê-lo porque não foi em todo ruim ou bom. Não foi de um extremo ou outro, não teve uma exatidão só. 2012 foi de uma realidade paralela da qual eu acordei só agora. Ou talvez tenha sido de uma realidade tão real na qual eu me obriguei a não estar presente, e agora sim é que tenho minha realidade paralela - Não sei, estou confusa. - Continuo me descobrindo, descobrindo o universo...
2012 foi meio que epifânico; foi de uma tentativa acelerada de engolir o mundo enquanto tudo que eu precisava fazer era saboreá-lo, mastigá-lo sem pressa. Mas as epifanias vieram quando eu menos esperei, quando tudo parecia já perdido há algum tempo. As descobertas vieram depois dos tombos e os tombos vieram de caminhos tortuosos que eu escolhi pegar, e que hoje já não pego mais.
Nos intermédios dos lapsos de memória estão os momentos ocultos de 2012. São aqueles intervalos entre segundos, aqueles instantes perdidos, desperdiçados.
Só que eu não quero mais desperdiçar e também não quero mais jurar nada.
Não quero desejar um 2013 de sucesso, paz e amor, porque agora já tenho encrustado na minha existência toda a culpa de se viver. Eu cresci, sou uma mulher em toda a minha extensão de ex-menina inocente, e não quero desejar nada a ninguém. Quero o que tenho agora, quero a mim e o meu amor. E só.








Extravios da estrada de mim

E de repente eu me vi arrancada da minha comodidade de menina. Vi-me exposta ao mundo real; com queimaduras de sol e arranhões de asfalto, onde as pessoas estão todas nas ruas, e não em suas casas.
Eu me peguei em uma transição tão brusca que não tive como querê-la ou não - me foi escolhido esse caminho.
O fato é que eu me vi então entre essa escolha, entre o amor e eu. É tão contraditório, eu sei, pois o amor em si sou eu. Mas a minha vida até então tinha sido feita de amor de brincadeirinha, de casinha, de pai e mãe. Eu tinha sido feita dentro de casa - na comodidade, na afeição, na proteção.
E de repente eu me extraviei. Só que eu sempre quis esses extravios, eu costumava lutar por eles. E só agora percebo o quanto eu realmente não os queria. Ou talvez eu os queria quando eles eram de mentira, e eu ainda podia voltar ao ninho. Mas agora não, agora é tarde demais. Agora eu não os quero porque eles são a minha única opção e eu tenho problemas com vontades e imposições.
Mas o ato de acordar pra vida me veio então na forma de amor. E os extravios, mesmo que impostos, são de uma imposição desejada, de uma imposição necessária para o meu crescimento, para a minha transformação de menina em mulher.
Porque estar em casa me resume a tão pouco. Eu preciso de lagos grandes, de montanhas que alcançam o topo do céus. Eu não quero ser resumida a pouco porque a minha essência é grande demais, e esse amor está me ajudando a ser curada da minha preguiça.
É tão bom sentir a cura! Difícil mesmo é lutar contra a inércia que me puxa de volta a minha zona de conforto, mesmo eu sabendo que não a quero, que quero o exato contrário dela.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Certezas

E então eu tive certeza. 

Foi como extrair de cada minimo pedaço do meu corpo tudo o que me mantém viva e, de um jeito irreversível, entregar a ele. Foi aquela exposição suave de tudo o que sou e que tenho, aquela ternura morna de nascer do sol - assim de quando ninguém acordou e o mundo gira mais lento.
Foi como uma fotografia instantânea da minha intimidade, extravasada em meu olhar. Eu era transparente pra ele - e eu nada mais seria sem aquela intimidade que extravasava em amor.

E com a certeza veio a verdade. Aquela verdade simples e constante, do tipo das maiores verdades do universo. Não era como a física pois suas leis já não valiam para nós - nós ignorávamos qualquer lei que existisse.
E nós éramos também como a mesma essência em dois corpos diferentes, que se encontraram não por intermédio do destino, mas sim por puro magnetismo e sincronia. Um magnetismo irrefutável, que age tanto pra perto quanto pra longe, em todas as escalas de tempo.  

Não foi como nos filmes porque foi mais bonito. Foi de uma alegria que transcende a alma, que liberta o espírito nos domínios da alma do outro - e esse é o tipo mais sereno de liberdade que existe porque é uma liberdade compartilhada.
E  a liberdade que se compartilha é como um fundamento do amor.

Porque o amor não é como se conta... O amor é o encontro das águas de dois rios que se juntam em um só para chegarem ao oceano juntos. O amor é a turbulência dessas águas difundido num fluxo perfeito, rítmico. E o compasso em que as águas se movem são do mais belo alívio da natureza, que criou em nós um elo assim tão magnífico quanto toda a sua extensão.

E assim já se era amor, e eu tive certeza - sou toda feita dele. E me dou a você, meu amor, até depois que o pra sempre do mundo acabar.