Foi como extrair de cada minimo pedaço do meu corpo tudo o que me mantém viva e, de um jeito irreversível, entregar a ele. Foi aquela exposição suave de tudo o que sou e que tenho, aquela ternura morna de nascer do sol - assim de quando ninguém acordou e o mundo gira mais lento.
Foi como uma fotografia instantânea da minha intimidade, extravasada em meu olhar. Eu era transparente pra ele - e eu nada mais seria sem aquela intimidade que extravasava em amor.
E com a certeza veio a verdade. Aquela verdade simples e constante, do tipo das maiores verdades do universo. Não era como a física pois suas leis já não valiam para nós - nós ignorávamos qualquer lei que existisse.
E nós éramos também como a mesma essência em dois corpos diferentes, que se encontraram não por intermédio do destino, mas sim por puro magnetismo e sincronia. Um magnetismo irrefutável, que age tanto pra perto quanto pra longe, em todas as escalas de tempo.
Não foi como nos filmes porque foi mais bonito. Foi de uma alegria que transcende a alma, que liberta o espírito nos domínios da alma do outro - e esse é o tipo mais sereno de liberdade que existe porque é uma liberdade compartilhada.
E a liberdade que se compartilha é como um fundamento do amor.
Porque o amor não é como se conta... O amor é o encontro das águas de dois rios que se juntam em um só para chegarem ao oceano juntos. O amor é a turbulência dessas águas difundido num fluxo perfeito, rítmico. E o compasso em que as águas se movem são do mais belo alívio da natureza, que criou em nós um elo assim tão magnífico quanto toda a sua extensão.
E assim já se era amor, e eu tive certeza - sou toda feita dele. E me dou a você, meu amor, até depois que o pra sempre do mundo acabar.
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