sábado, 22 de dezembro de 2012

Extravios da estrada de mim

E de repente eu me vi arrancada da minha comodidade de menina. Vi-me exposta ao mundo real; com queimaduras de sol e arranhões de asfalto, onde as pessoas estão todas nas ruas, e não em suas casas.
Eu me peguei em uma transição tão brusca que não tive como querê-la ou não - me foi escolhido esse caminho.
O fato é que eu me vi então entre essa escolha, entre o amor e eu. É tão contraditório, eu sei, pois o amor em si sou eu. Mas a minha vida até então tinha sido feita de amor de brincadeirinha, de casinha, de pai e mãe. Eu tinha sido feita dentro de casa - na comodidade, na afeição, na proteção.
E de repente eu me extraviei. Só que eu sempre quis esses extravios, eu costumava lutar por eles. E só agora percebo o quanto eu realmente não os queria. Ou talvez eu os queria quando eles eram de mentira, e eu ainda podia voltar ao ninho. Mas agora não, agora é tarde demais. Agora eu não os quero porque eles são a minha única opção e eu tenho problemas com vontades e imposições.
Mas o ato de acordar pra vida me veio então na forma de amor. E os extravios, mesmo que impostos, são de uma imposição desejada, de uma imposição necessária para o meu crescimento, para a minha transformação de menina em mulher.
Porque estar em casa me resume a tão pouco. Eu preciso de lagos grandes, de montanhas que alcançam o topo do céus. Eu não quero ser resumida a pouco porque a minha essência é grande demais, e esse amor está me ajudando a ser curada da minha preguiça.
É tão bom sentir a cura! Difícil mesmo é lutar contra a inércia que me puxa de volta a minha zona de conforto, mesmo eu sabendo que não a quero, que quero o exato contrário dela.

Nenhum comentário: