segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dezembro, 31

Não sei como contar. Tento organizar as palavras e nada - A única imagem que me vem à cabeça são aqueles olhos infinitos que compartilharam sua existência comigo.
Tentei  me conter, tentei não chorar, eu juro. Mas foi quase inútil minha tentativa - As lágrimas desceram como um rio, deliberadamente sem direção. Eram lágrimas felizes porque estavam expostas. Naquele momento, num ínfimo instante que mudou meu mundo, eu estava exposta e tudo estava exposto. Ele estava exposto à mim também.
Ah, o silêncio do encontro!
É tão difícil se concentrar, se puxar de volta ao chão. Porque tudo de repente só faz sentido dentro daqueles olhos e não há nada mais perfeito no mundo; nada mais completo.
E se eu quisesse mesmo descrever esse momento - coisa que eu talvez nem queira porque é de uma intimidade tão nossa - eu diria que é como a morte. A morte seguida de uma ressurreição das suas próprias cinzas. Eu me matei naquele momento para ressurgir como amor; como vida compartilhada.
Foi lindo, lindo. De uma emoção assim quase que universal. Eu me senti infinita porque o nosso amor é infinito, e tudo que viveremos vai ser eterno.
Eu estou tentando contar, mas acredite, não está funcionando. Não estou conseguindo traduzir o que senti, muito menos a energia daquele encontro, daquele olhar, daquela conversa.
Acho que é algo de só se sentir mesmo.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Shine on,

You crazy diamond.

E o mundo não acabou (Das coisas que aprendi em 2012)

(...)

Fiquei meio chateada quando o mundo não acabou. Eram tantas expectativas para o apocalipse, tantos desejos que foram jogados fora em vão. Eu fiquei chateada porque não sei ao certo se queria mesmo a vida ou se queria uma desculpa para poder ir embora dignamente. Se o mundo acabasse iríamos todos embora juntos, e isso seria digno de uma morte. Não seria como suicídio.

De qualquer maneira estamos hoje em 22 de dezembro de 2012 e o mundo não acabou ontem. Está na hora de desfazer as malas e se aprontar pra ficar mais um pouco, pra enfrentar 2013.

E das coisas que aprendi em 2012, algumas delas foram tão simples e outras muito confusas - assim como eu.
Eu aprendi que crescer é difícil;
Que os momentos mais importantes são os que parecem menos significantes. São aqueles bem cotidianos mesmo - são os cafés em manhãs chuvosas e os eu te amo mais inesperados.
Aprendi que eu preciso estudar mais se quiser ser uma boa bióloga;
Aprendi que o ato de viver é intrínseco a cada segundo que você respira, e não só aos momentos que você considera importantes;
Aprendi a ver a generosidade e a ser generosa;
Aprendi a ver a morte; chorei por ela, mas aprendi a vê-la;

Não queria que tantos aprendizados fossem em vão.
Acho que o que eu mais quero pra 2013 é conseguir levar toda essa bagagem de 2012 de um jeito inteligente, racional, de uma forma que eu os aproveite bem em 2013.

E que venha o ano novo!



2012?

Eu poderia começar a falar em alegrias e desesperos mas eu acho que ainda vou falar de esperança. Porque agora, assim nos últimos suspiros de 2012, eu percebo que nunca é tarde para se senti-la.
O meu ano foi conturbado. Não tenho outra palavra para descrevê-lo porque não foi em todo ruim ou bom. Não foi de um extremo ou outro, não teve uma exatidão só. 2012 foi de uma realidade paralela da qual eu acordei só agora. Ou talvez tenha sido de uma realidade tão real na qual eu me obriguei a não estar presente, e agora sim é que tenho minha realidade paralela - Não sei, estou confusa. - Continuo me descobrindo, descobrindo o universo...
2012 foi meio que epifânico; foi de uma tentativa acelerada de engolir o mundo enquanto tudo que eu precisava fazer era saboreá-lo, mastigá-lo sem pressa. Mas as epifanias vieram quando eu menos esperei, quando tudo parecia já perdido há algum tempo. As descobertas vieram depois dos tombos e os tombos vieram de caminhos tortuosos que eu escolhi pegar, e que hoje já não pego mais.
Nos intermédios dos lapsos de memória estão os momentos ocultos de 2012. São aqueles intervalos entre segundos, aqueles instantes perdidos, desperdiçados.
Só que eu não quero mais desperdiçar e também não quero mais jurar nada.
Não quero desejar um 2013 de sucesso, paz e amor, porque agora já tenho encrustado na minha existência toda a culpa de se viver. Eu cresci, sou uma mulher em toda a minha extensão de ex-menina inocente, e não quero desejar nada a ninguém. Quero o que tenho agora, quero a mim e o meu amor. E só.








Extravios da estrada de mim

E de repente eu me vi arrancada da minha comodidade de menina. Vi-me exposta ao mundo real; com queimaduras de sol e arranhões de asfalto, onde as pessoas estão todas nas ruas, e não em suas casas.
Eu me peguei em uma transição tão brusca que não tive como querê-la ou não - me foi escolhido esse caminho.
O fato é que eu me vi então entre essa escolha, entre o amor e eu. É tão contraditório, eu sei, pois o amor em si sou eu. Mas a minha vida até então tinha sido feita de amor de brincadeirinha, de casinha, de pai e mãe. Eu tinha sido feita dentro de casa - na comodidade, na afeição, na proteção.
E de repente eu me extraviei. Só que eu sempre quis esses extravios, eu costumava lutar por eles. E só agora percebo o quanto eu realmente não os queria. Ou talvez eu os queria quando eles eram de mentira, e eu ainda podia voltar ao ninho. Mas agora não, agora é tarde demais. Agora eu não os quero porque eles são a minha única opção e eu tenho problemas com vontades e imposições.
Mas o ato de acordar pra vida me veio então na forma de amor. E os extravios, mesmo que impostos, são de uma imposição desejada, de uma imposição necessária para o meu crescimento, para a minha transformação de menina em mulher.
Porque estar em casa me resume a tão pouco. Eu preciso de lagos grandes, de montanhas que alcançam o topo do céus. Eu não quero ser resumida a pouco porque a minha essência é grande demais, e esse amor está me ajudando a ser curada da minha preguiça.
É tão bom sentir a cura! Difícil mesmo é lutar contra a inércia que me puxa de volta a minha zona de conforto, mesmo eu sabendo que não a quero, que quero o exato contrário dela.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Certezas

E então eu tive certeza. 

Foi como extrair de cada minimo pedaço do meu corpo tudo o que me mantém viva e, de um jeito irreversível, entregar a ele. Foi aquela exposição suave de tudo o que sou e que tenho, aquela ternura morna de nascer do sol - assim de quando ninguém acordou e o mundo gira mais lento.
Foi como uma fotografia instantânea da minha intimidade, extravasada em meu olhar. Eu era transparente pra ele - e eu nada mais seria sem aquela intimidade que extravasava em amor.

E com a certeza veio a verdade. Aquela verdade simples e constante, do tipo das maiores verdades do universo. Não era como a física pois suas leis já não valiam para nós - nós ignorávamos qualquer lei que existisse.
E nós éramos também como a mesma essência em dois corpos diferentes, que se encontraram não por intermédio do destino, mas sim por puro magnetismo e sincronia. Um magnetismo irrefutável, que age tanto pra perto quanto pra longe, em todas as escalas de tempo.  

Não foi como nos filmes porque foi mais bonito. Foi de uma alegria que transcende a alma, que liberta o espírito nos domínios da alma do outro - e esse é o tipo mais sereno de liberdade que existe porque é uma liberdade compartilhada.
E  a liberdade que se compartilha é como um fundamento do amor.

Porque o amor não é como se conta... O amor é o encontro das águas de dois rios que se juntam em um só para chegarem ao oceano juntos. O amor é a turbulência dessas águas difundido num fluxo perfeito, rítmico. E o compasso em que as águas se movem são do mais belo alívio da natureza, que criou em nós um elo assim tão magnífico quanto toda a sua extensão.

E assim já se era amor, e eu tive certeza - sou toda feita dele. E me dou a você, meu amor, até depois que o pra sempre do mundo acabar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Do amor

E eu só precisava dizer que eu quero os terremotos e os avalanches. Quero as enchentes e os furacões, quero tudo de mais intenso e mortal que puder existir - porque o amor em si é tão fatal que mata tanto quando existe e também quando não.
Porque eu não consigo permanecer racional enquanto amo e o amor não é coisa de se sentir pela metade - você sabe quando ama alguém.
E eu queria expressar o quanto de felicidade você me traz mas isso já nem é possível, é tanta felicidade que me faz engasgar ao tentar pronunciá-la. E é sublime, sabe, assim como estar com você. E ter o seu cheiro encrustado à minha pele no fim do dia é tudo o que eu quero pra minha alegria cotidiana.
E talvez viajar com você, tomar um café no fim da tarde ou em uma manhã chuvosa depois de acordarmos juntos na sua cama. Respirar no mesmo ritmo, andar na mesma velocidade. Compartilhar risos e também desgraças (mas que essas sejam pouco frequentes).
E eu precisava dizer que eu quero me render. Mergulhar nas terras desconhecidas da sua alma e amar cada peculiaridade da sua existência - cada detalhe, cada defeito, cada perfeição. Precisava dizer que te amo, e é assim simples o que eu sinto - como sentir a chuva caindo e adorar que a roupa mais linda que eu tenho está sendo encharcada.


domingo, 4 de novembro de 2012

Transbordada

E a felicidade chegou nas lágrimas que eu segurei. Subiu pela minha garganta, tão frenética e real que eu pude vê-la ocupando todo o espaço à minha volta; e todo o meu ser se explodiu em uma confusão de serenidade e alegria.
Eu me poupei das lágrimas e abri um sorriso do tamanho do mundo. Deixei transparecer toda minha alma, que estava agora aberta e disponível só para ele.
Foi como flutuar. Se sentir tão inexoravelmente leve que a gravidade não faz mais sentido e tudo que se vê são as coisas que não se pode ver e tudo que se sente é oque não estava ao alcance até então.
E acho que alcançar é assim - bonito, tranquilo. É ver o amor de perto e não temer nenhuma das suas faces traiçoeiras, nenhum de seus lados assim não tão bonitos.
E ver o amor de perto me pareceu ser tudo o que eu preciso.

sábado, 27 de outubro de 2012

Na varanda

Ah! E que vontade linda de te encontrar, sentar na varanda, tomar um café. Me refazer dos seus beijos e olhares, das suas confusões e certezas. Te olhar fundo, provocando. Sentir e sentir e sentir de novo a alegria de te ter por perto.

Quantas ironias!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Da libertação e serenidade

Parei um instante, prestei atenção. Refiz meus pensamentos, deixei os neurônios se ligarem de novo e senti no coração a peculiaridade daquele momento.
Eu estava satisfeita, não precisava de mais nada.
Foi de uma liberdade tão extrema que meus olhos se fecharam para senti-la melhor e tudo que eu pude fazer foi ceder ao momento e ao adeus.
É preciso saber a hora de deixar, de partir. É necessário a desconfiança e o desapego - dos sentimentos, das insistências.
E as epifanias vieram enquanto os minutos seguintes que se desmancharam pelas minhas mãos. Aquela nova percepção de espaço e de felicidade.
Acho que só o amor mesmo.

(...)

Mas não sei, não. Ainda falta muito pra caminhar e percorrer e aperfeiçoar e construir. Mas o que agora posso afirmar é que foi dado mais um passo - mais uns anos luz em direção ao sol, em direção a luz! Aquela luz da qual tanto preciso, a qual tanto quero e aprecio. A luz que traz paz e serenidade - o bem estar de uma vida aberta, tão externa quanto a casca da fruta, pronta para ser devorada e digerida.

(...)

E eu acho que só o amor mesmo.

domingo, 21 de outubro de 2012

O tempo não pára, e agora já se vão meus 19.

O tempo não pára, meu amigo. O sol nasce todos os dias para nós e as horas se vão como estrelas cadentes a cada sessenta minutos que contam no relógio. As horas se vão, a gente se vai.
Sinto em minha pele os desastres do tempo. Sinto no coração os apelos da alma.
Completar vinte anos de existência e sentir como se já carregasse um século - pesa demais nos ombros.
Pois carrego. Carrego meus vinte, meus cem; carrego a amargura de uma alma aprisionada e de asas cortadas, arrancadas. Carrego meus precipícios e salto de vez em quando - quando bate o desespero de me enxergar na atualidade assustadora na qual obrigatoriamente me inseriram - eu não pedi.
E que os cegos me perdoem por tanto desdém, mas nossos olhos não prestam. São de uma funcionalidade tão superficial, desnecessária. Eles marcam a nossa existência e medem os defeitos, de cima a baixo. Juro que não precisava disso...
Juro que só precisava de amor e ponto. Amor que acolhe, que compartilha. Juro que é tudo que preciso e quero. Pois meus vinte anos hoje são feitos de solidão, angústia e culpa, enquanto na verdade deveriam ser feitos de chocolate, de azul de céu, de mar. Deveriam ser feitos de sol, lá, si; de melodias carregadas de vida. E de paixão.
Talvez seja assim em um universo bem distante, paralelo. Outra história, mesmo destino. Diversos caminhos a serem traçados mas a mesma e única meta no fim - fazer viver ter valido a pena.
E não é que ainda da tempo?

Vamos ver...




sábado, 20 de outubro de 2012

Nostalgic

And the rain felt like happiness even in the darkest days.

Life was peaceful, clear. The roads were always leading me to some place where I'd die to be and the skies were never so beautiful.

I remember the smell of the grass outside my room and our messed kitchen. I remember the keys and the long walks to town. I remember the bus rides and those little sweets in all those pretty coffee places. I remember the huge buildings, where knowledge used to be made. I remember the mazes, the games, the fun. I remember the voices, the faces, the hours that I spent with you - Wondering if I would ever see you again.


I remember that feeling - the most lovely of all my existence.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Últimos suspiros

É que sabe, eu tenho me assustado bastante ultimamente - com meus pensamentos, minhas idéias, minhas atitudes.

E falo dos meus pensamentos tão naturalmente comigo mesma, ainda sim. Só sei que assustariam os outros muito mais que a mim... acho que haveria um certo tipo de desaprovação seguido de afastamento e talvez um pouco de pena.

Mas sabe, não entendo. O que tem de tão errado em querer parar de viver um pouco?


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Deve ser assim o amor...

E deve ser assim o amor - o coração batendo forte no peito e o sorriso perdido no rosto.

Brisa de verão.

Estou sentindo e sinto não porque me mandei antes - estou me mandando parar mas o sentimento já se é, em todos os seus milímetros de amor e ternura.

Estou sentindo e sinto não o já alcançado - estou é bem longe de alcançar, de tocar, de ser também o alvo como ele já o é pra mim.

E deve ser assim o amor...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Início de outubro e a vida já rasgada

E foi então que eu percebi que estava viciada na dor - aquela dor que arranca não só água dos olhos mas também um pouco de vida da existência. Insistir na mesma dose diária de angústia, desespero, culpa e autodestruição não pode ter outro nome senão vício, e esse vício me consome assim de dentro pra fora e de fora pra dentro e me consome como se fosse tudo o que restasse.

"Do que você tem medo?"

Ah! Os paradoxos da mente humana...

"Eu tenho medo de mim" - Eu responderia, sem medo algum de julgamento.

O único julgamento que temo é o meu, perante toda a minha covardia e incapacidade.

Eu tenho medo da minha própria mente...


Nunca

E no fim eu nunca disse. E ele nunca soube. E nos perdemos para sempre.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Atrás do espelho

Eu acho que não sei escrever sobre o mundo. Sou tão intimista, egoísta e alheia das outras realidades externas a mim que simplesmente não sei me enxergar nelas.
Sou inteiramente o que me enxergo.

Mas o que enxergo?

(...)

E então os espelhos se quebraram e o vazio perpétuo sobrou de uma angústia quase sufocante. Não sabia o que era senão sua imagem física daquele vidro que reflete a gente.
Os espelhos se quebraram e não dava para atravessá-los mais, para aquela outra realidade atrás do que existe aqui - a fuga dos que se perderam e se entregaram demais para encontrar qualquer outro caminho que não levasse à escolha própria.
Mas encarar o fato intrínseco de se aceitar e enquanto isso ter que lidar com rejeições alheias é como ácido - corrói tão fundo que chega a doer na alma.
É sentir o prazer e depois ter de vê-lo sendo arrancado, desmanchado e dilacerado diante de sua já esquecida felicidade.
Os espelhos se quebraram mas sobrou também a descoberta - de se enxergar não só como parte viva do mundo, mas como o mundo em si. Porque existem tantos universos quanto são as almas que vagam pelo universo de deus, e a única realidade é aquela que se planta em si mesmo.

Não há outras, não há nada - só a realidade plantada no seu universo e o milésimo de segundo instantâneo e vazio que já se esgotou enquanto se pensava na existência dele.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Fim de setembro

É o silêncio que agora me assusta. Venho com esse aperto constante no coração e que parece me consumir por inteira quando eu me deixo levar pelas imagens refletidas e as expectativas não completas.
O dia está nublado hoje - faz tempo de chuva e muito calor numa época alheia à temperaturas ardentes. O céu está fechando e algumas gotas já vão se desprendendo das nuvens. Ouço um trovão, sim, agora, nesse instante. Ah! O externo me assusta tão pouco...

Mas que mistério o tempo! Fico intrigada mas já não paro para pensar nele. No entanto pude presenciá-lo assim de pertinho outro dia. A imagem que eu tinha guardada se desfez em tantos pedaços quanto os fios de cabelo que ainda restavam.
E que seja assim o fim da vida, mas que não seja o fim!

Eu não sei como me expressar...


E agora está chovendo demasiadamente. Gotas pesadas molhando a cidade...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Às margens da minha existência eu fui me deixando, poluindo as águas claras e brilhantes que um dia me preenchiam... de beleza e felicidade. Pisquei os olhos e estava sentada sozinha, me amargurando toda, lembrando de como a vida me fazia bem. Senti a dor, rasguei a pele, deixei as águas agora turvas escorrerem pelo meu rosto.
Ah, meu rosto com marcas do tempo! Quase 20 anos e nenhum sinal de vida - As expectativas quebradas e a realidade pedindo carona. Meu sorriso seco, falso, digno de rendição e complacência acompanhando meus olhos, perdidos no horizonte do mundo que me apresentam agora e não é nada como eu sonhava.
Sentir a dor é o que eu preciso pois sofrer é para os fortes. Viver é sofrimento alheio à algumas pequenas felicidades instantâneas, e viver, de verdade, é para os que insistem.
Insistir em ser, em explorar, em se impor. Desejos e ilusões são fantasias infantis de um mundo que desmorona quando se pega sentado, mirando o destino e não vendo nada senão o momento ínfimo desse instante.


Ódio

Lembrei-me novamente de como é me odiar.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Dear distance,

E aqui estou eu novamente: com uma xícara de café na mão e as expectativas todas quebradas - e um pouco do coração também.
Não queria falar disso, muito menos me expor assim tão nitidamente usando essas palavras que saem lá do fundo da alma e tentam dar uma explicação; Mas não há outra solução senão essa, e a exposição me parece cada vez mais uma ótima maneira de se render.
E foi isso que decidi; me render. Rendi-me diante da sua frieza e desinteresse, diante da minha paixão e admiração. Decidi me render pois foi o único jeito que encontrei de não sofrer tanto, já que tudo ao meu redor me leva ao sofrimento e a aceitação, ao contrário, me leva a outras direções não tão dolorosas.
Sim, resolvi aceitar esse sentimento - mesmo que abraça-lo leve-me a minha própria solidão e afastamento.

Ah! Mas o que seria do mundo sem os apaixonados?

E é por ser assim, apaixonada, que direciono todos os meus apegos a esse amor. E mesmo que ele exista somente dentro de mim, não me preocupo - é o único lugar em que ele precisa existir para que possa ser verdadeiro e completar um pouquinho do que falta aqui no meu ínfimo pedaço de existência.




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

The land of anything

Well may the elfs say I'm lying
but I have really been there
in those places you dream about
where magic is all you have

I could compare it to the earth
but I wouldn't be so mean
you should try it once
by your self, not me

I could bring a picture
and let you imagine the taste
but I'd rather just throw ourselfs inside it
it's possible, you know, everything is

I call it the land of anything
because if you dig, you may find nothing
and yet,
if you dig, you may find everything.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Agosto, 27.

Não me venha com cautelas, não. Ando descobrindo novos horizontes e uma coisa me parece fazer ainda mais sentido agora... Os exageros e excessos são o que nos levam ao ponto máximo da vida.
Viver com cuidado, observando criticamente todos os milímetros por onde se pisa é como uma perda de tempo - se jogar nos abismos do desconhecido é o que nos leva a verdadeira paixão de se estar vivo.

Pois não adianta esperar felicidade se não se está aberto a ela.

Só que se jogar é, ao mesmo tempo, muito difícil, eu sei. E dói também. Só que pode acreditar em mim, vai doer mais.

Mas abraçar a vida é até agora o único jeito que eu conheço de se anestesiar.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu juro que (não)

Eu juro. Eu juro que não quero mais, não me quero mais. Mas a frequência das incertezas só se torna maior enquanto eu tento fugir de mim.
Talvez fugir não seja a solução - e isso é tudo que eu tenho feito ultimamente. Talvez o espasmo doloroso da realidade seja o último pedido necessário. Sofrer seria então somente mais um detalhe na alegria da vida, até porque eu já nem me recordo mais como é viver sem dor.
E assim talvez eu enxergaria, como antes quando era inocente, o caminho sem seus obstáculos e sem suas curvas tortuosas que me derrubam quase todos os dias.


Eu vejo com mais clareza agora... depois de tanto tempo nesse marasmo que me obriga a me desfazer inteira e sentir vontade de não viver (não de morrer, mas de não viver). Eu entendo melhor que minha visão possa sim estar equivocada e que o julgamento alheio não é tão peculiar quanto o dos meus próprios fantasmas.


Eu sonhei com um dos meus fantasmas hoje. Foi um tanto assustador porque ele me devorava e eu pedia ajuda de Deus. Mas então eu acordei e ... Não tinha mais nada - só todo o resto da minha existência me encarando de frente. E eu pensei, por alguns segundos, se preferia voltar ao pesadelo ou abrir os olhos. 


É porque meus olhos ainda não estavam abertos. Abrir os olhos significa se mostrar ciente da vida e tudo o que eu mais queria era não estar ciente. Acredito que naquele momento eu tenha preferido voltar a ser devorada no sonho - a realidade assustava mais.


Ah... já faz tanto tempo. Eu me sinto doente mas me sinto bem quando a dor é toda esvaziada em lágrimas. Também me sinto bem quando estou anestesiada pela alegria e quando me sinto curada. A troca seria da felicidade, perene, pela alegria instantânea de se entorpecer.


Mas a efemeridade da vida as vezes é tão mais bonita! É uma pena que machuque tanto.


sábado, 23 de junho de 2012

Grades


June, 23

Mas eu me lembro, eu me lembro. As escadarias passavam depressa enquanto meus pés corriam mais do que nunca - pressa pra chegar a lugar algum. Me deparei com o carrossel que se movia lentamente mas ainda não sabia da dimensão daquelas ruas. Era um sentimento engraçado mas naquele tempo eu ainda não nomeava emoções e isso não me desmanchava por dentro… Me preenchia.
Era verão e eu me lembro, eu me lembro. O céu era azul e nada nunca foi mais bonito na minha existência. O aroma daqueles dias não era de chuva ou de grama, era de vida, e a vida nunca se fez tão presente em mim.
É porque na verdade nada se compara ao espírito livre de um viajante. A aventura e as maravilhas de ser um cidadão do mundo e pertencer apenas a si próprio.
Começo então a me sufocar porque quando lembro dessa liberdade que tanto almejo, lembro também que ela escapou as minhas mãos. Quero-a tanto mas não posso tê-la; quero devorar a vida mas cada vez que tento sou ainda mais acorrentada.
Até quando?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Cansaço


Hoje é dia 21 de junho, o ano é 2012. E eu estou aqui, onde sempre estive.
É certo que as coisas mudaram - meu cabelo cresceu, tirei a cruz do pescoço, e meus olhos se aprofundaram em uma incerteza que acabou se tornando tão minha que agora eu mesma já me perco nela (e eu também a sou).
Alguns dias foram gloriosos de fato, mas por esses tempos eu já estaria esperando a perfeição - ilusão minha, quanta inocência. Almejar a perfeição é tão engraçado quanto um amor platônico (os quais eu mesma tenho muitos). Mas enquanto passaram-se os dias gloriosos e risonhos, também vieram dias escuros e é deles que eu me componho.
As pessoas ao meu redor me perguntam porque eu estou triste mas não há um motivo para a tristeza. Ela simplesmente se encrustou em minha pele e não é mais algo externo a mim, sou também eu em toda minha dimensão de menina e ao mesmo tempo mulher. Minhas fugas nada mais demonstram do que a verdade de que a tristeza, por mais longe que pareça estar quando sorrio no meu cotidiano, se faz mais presente do que nunca.
E não pensem que é loucura, não. Ela é só meu modo de lembrar que a gente vive. E morre. E a guerra é eterna assim como o céu e o amor.
A guerra é eterna porque a vida em si é guerra - batalhas e tiros e lágrimas e gritos que não cessam nunca. Vejo agora que não há descanso e isso me deixa tão cansada…
Acho que a tristeza é em parte cansaço também. 
Mas não procuro mais entender, e peço que ninguém procure. É só o que peço, que me deixem fugir em paz mesmo que seja para dentro de mim…

terça-feira, 29 de maio de 2012

And I myself know exactly how peace tastes like. And I also know that I have never felt in truly peace ever again. It's such a beautiful state of mind and body, such an adventure inside of your own cage.
My idea of peace has never been reached since that day. It all has become harder and life has become further, away from me or from my control.
I wonder if I'll feel like that again in life someday.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Descontinuidades

O campo de futebol ficou mais bonito de uma frase à outra e os raios de luz que vinham do céu irradiavam também de mim. Era hora do almoço em um dia diferente de outono, que insistia em me derreter por inteiro enquanto eu só pedia o aconchego do inverno para que eu pudesse querer o calor do verão novamente. Uma formiga me picou mas a vida já vinha me anestesiando à tantos séculos (lê-se minutos) que eu nem cheguei a sentí-la... foi mais como só saber da sua existência - mas saber já não era o suficiente.
Os raios de sol continuavam a descer do céu mas minha visão estava confusa, e a incerteza da silhueta que via na minha própria sombra declarava que ia levar mais que um sorriso para a felicidade se fazer presente de novo. O que se fazia presente então era a lembrança - de vidas passadas, vidas não vividas, e de amores ainda não descobertos... Porque a lembrança do que ainda não existe é mais doída do que aquilo que já é passado.
A ordem virou caos e as palavras se embaralharam no ar - ou dentro de mim. Dimensões se entrelaçaram diante da minha noção abstinada de mundo e as ondas se quebraram em uma frequência só minha. Os paradigmas nos quais minha alma costumava se apoiar se esvaziaram - e agora, 21h38 de uma quinta feira descartável, encontro-me vazia.
Para que não bastasse a garganta seca e a culpa pela minha inutilidade forçada, encontro-me também impaciente por algo que desconheço. Meu coração bate forte e eu me perco de novo - e que me encontrem os que não sejam tão instáveis quanto eu.
Não é a desistência que se faz presente, mas sim a não insistência - em mim mesma ou na crença de que um dia a dor vai passar.
Sinto dizer, mas ainda vai doer mais - e não seria a dor o que falta para me preencher novamente de vida?
Me pergunto porque me posicionar sozinha na realidade tem me custado tantos sorrisos.
(...)
Mas o fato inexorável do tempo chamou meu nome e os minutos que passaram como viagens transatlânticas se foram. Não queria me levantar para a realidade - a exclusividade daquele universo fechado era tão mais confortável e acolhedora. Cálculos e metrificações não eram necessários porque minhas dúvidas estavam agora a anos-luz de distância e as viagens que me aguardavam não eram tão palpáveis assim.
Mas enquanto as dúvidas permanecem dúvidas, a dor permanece dor, e a realidade permanece sem sentido algum, a minha vida continua exatamente da onde tinha parado antes de eu me sentar para escrever; e o relógio marca agora 22h14 - com uma incerteza de segundos, batimentos cardíacos, notas musicais, moléculas de oxigênio, e escolhas.

sábado, 14 de abril de 2012

"Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes" (Albert Einstein)

É, meu querido Einstein, talvez eu não seja tão sã quanto você.

Ainda é hoje

Eu acordei, esperei, e abri os olhos. Meu sonho voou pela minha mente e eu lembrei de tudo: ainda era hoje, ainda havia tempo. No meu sonho eu tinha perdido o que julguei ser mais belo e por um relapso de memória eu tinha me esquecido de viver o que não o era.
É sempre assim, as manhãs são sempre reveladoras e no entanto a noite traz as mesmas mentiras que insistem em nos habitar.
Mas eu aguardo ainda o que está por vir e o que vai me maravilhar. A caminhada continua e o ciclo se refaz, é uma guerra que não acaba. E apesar de eu entender mais o segredo da felicidade a cada manhã, não significa que quero estar feliz todos os dias.

Ah, meus sorrisos tortos e minhas fugas sem direção. O que seria de mim se fosse inteira alegria?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

E ceder ao pessimismo me parece até agora o caminho mais fácil. E eu não gosto de caminhos fáceis...

domingo, 8 de abril de 2012

Entropia máxima

Não se trata mais de questionar a vida. Já me perdi faz tempo, nem me importo mais em encontrar um caminho. O meu não caminho é o meu caminho. Abraçar o caos e a intuição me fazem a cada dia mais entender a beleza do ser humano e é assim que eu prefiro ser.

Eu quero minha entropia máxima no meu mais belo estado de paz...

O vazio de se saber

Tenho sido procurada pelas palavras porque a mudança de hábitos e de pontos de vista parece se tornar mais suave em poesia. Me vejo encurralada em escrever e só escrever para tirar esse peso de alma - que já pesa mais há algum tempo.
É quase como um desabafo, mas também não o é porque sinto estar escondendo partes minhas de mim mesma, e esses esconderijos estão tão palpáveis a mim que chego a tocá-los (mas não sei se os quero). Na verdade eu quero a profundidade, mas a profundidade me leva ao abismo e desse não se volta nunca, não por se estar no fundo mas sim pela beleza da queda... pela dimensão da queda e o estrago do tombo. Um estrago que traz aceitação, pureza, que traz o universo todo pra dentro da alma.
Acho que o peso extra que tenho sentido pode ser então a manifestação do universo. A energia das estrelas que jorram luz e me cegam e não me permitem mais nada enxergar além da não realidade. Mas alheia à Terra e a ao fato intrínseco da vida eu me vejo na verdade perdida em mim mesma. Me sinto o meu próprio labirinto e meu próprio abismo, minha própria salvação e minha própria arma. Me encontro tão dentro do meu próprio mundo que esqueço da atualidade assustadora de se encarar o tempo real e os outros com quem compartilho minha existência.
Me encontro e me perco e é assim que eu viajo pela vida. Vagando pelas curvas da moralidade mas me entregando ao incerto. Tudo o que eu tenho é o incerto, e quando lembro da incerteza de se ser humano me revelo inteira mesmo ao que não entendo. Porque não entender é o princípio, e o princípio é o vazio. Não o vazio de não se saber nada, mas o vazio de simplesmente saber.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tenho experimentado algumas inquietações que ora me comovem e ora me assombram e elas nada fazem de mim senão uma outra pessoa a cada significante segundo. Perco-me e também me encontro, vivo de contradições difíceis de explicar e de emoções imperceptíveis sob meus olhos. Acho que gosto mesmo é de distorcer a realidade. Moldar os fatos e filtrar as vozes que conversam comigo enquanto canto a mais linda canção dentro da minha cabeça. Dizem que eu sempre tenho que ser o centro das atenções… deve ser porque dentro de mim eu também sou sempre o centro de todas as minhas atenções.

Conheço-me mais e entendo-me menos.

Mas a verdade mesmo é que eu tenho chorado bastante ultimamente… Tenho tido uma sensação estranha, como se não houvesse nada me esperando no minuto seguinte. Vácuo, silêncio, nada.  Os segundos se arrastam e então o inesperado me espera, percebo que há alguém me chamando. A vida, ah! E então me levanto e enxugo as lágrimas.

Porque bobagem é viver se apoiando em inércia e se desculpando por nunca ter sido quem se quer ser, por nunca ter tido coragem de se levantar…

domingo, 29 de janeiro de 2012
















Uma foto pra comemorar uma nova fase. Agora o caminho está começando a ser traçado... Biologia na Unesp logo mais!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

"I like people who have a sense of individuality. I love expression and anything awkward and imperfect, because that’s natural and that’s real." written by Marc Jacobs