É quase como um desabafo, mas também não o é porque sinto estar escondendo partes minhas de mim mesma, e esses esconderijos estão tão palpáveis a mim que chego a tocá-los (mas não sei se os quero). Na verdade eu quero a profundidade, mas a profundidade me leva ao abismo e desse não se volta nunca, não por se estar no fundo mas sim pela beleza da queda... pela dimensão da queda e o estrago do tombo. Um estrago que traz aceitação, pureza, que traz o universo todo pra dentro da alma.
Acho que o peso extra que tenho sentido pode ser então a manifestação do universo. A energia das estrelas que jorram luz e me cegam e não me permitem mais nada enxergar além da não realidade. Mas alheia à Terra e a ao fato intrínseco da vida eu me vejo na verdade perdida em mim mesma. Me sinto o meu próprio labirinto e meu próprio abismo, minha própria salvação e minha própria arma. Me encontro tão dentro do meu próprio mundo que esqueço da atualidade assustadora de se encarar o tempo real e os outros com quem compartilho minha existência.
Me encontro e me perco e é assim que eu viajo pela vida. Vagando pelas curvas da moralidade mas me entregando ao incerto. Tudo o que eu tenho é o incerto, e quando lembro da incerteza de se ser humano me revelo inteira mesmo ao que não entendo. Porque não entender é o princípio, e o princípio é o vazio. Não o vazio de não se saber nada, mas o vazio de simplesmente saber.
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