quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Fim de 2014

Esse ano não vai ter texto nenhum, porque esse ano teve vida demais! Só quero dizer que 2014 foi o melhor ano da minha vida! GRATIDÃO UNIVERSO!

Tempos que não vivi

Olhando para as fotografias, lembranças embaçadas, descoloridas, de um tempo tão longe e tão perto de mim. Não quero fazer poesia, mas de um jeito engraçado as palavras parecem surgir.Os rostos, os olhos, as lágrimas capturadas e esquecidas. Por quanto tempo eu viveria assim? Muitas vezes me pergunto o motivo, a razão. Não chego a nenhuma conclusão. Mas a melodia rouca ao fundo, me lembra o passado. O passado que jaz em mim e que em mim nunca viveu. O passado que eu revivo a cada nota, e me pergunto se um dia já me pertenceu. Tempos atrás, anos esquecidos no timbre da voz que recordo vozes que morreram com tiros, e corações que não perdoam jamais. Corações que não esquecem jamais.

sábado, 29 de novembro de 2014

Paul McCartney faz chover

Talvez o que eu vou falar soe clichê. Talvez você que está lendo não entenda muito bem a dimensão dos meus sentimentos, mas talvez esse entendimento não seja necessário. É que sinto que preciso externar o que vivi enquanto as memórias ainda encontram-se frescas na minha mente. A noite de 25 de novembro foi exaustiva, dolorosa e molhada - muito molhada. Como se não bastasse as queimaduras de um sol forte que desde as 10 da manhã brilhou na minha pele naquela espera eterna da fila, ao entardecer a chuva caiu torrencialmente para lavar nossas almas cansadas. "Paul McCartney faz chover" foi o que ouvi de um jornalista, e nada mais justo para se dizer. O Paul faz chover, faz chorar, faz gritar incansavelmente por um único olhar na multidão. A espera de quase 12 horas me fez ansiosa e inquieta, é sempre cansativo mas sempre vale a pena. E então as 21h45 do dia 25 de novembro de 2014, ele surgiu na minha frente mais uma vez. No início é difícil assimilar. Demorou o tempo de umas 10 músicas para eu realmente entender quem era aquela pessoa com cara de passarinho que estava ali há 5 metros de mim. Demorou, mas aí eu entendi e me despedacei. O senhor de 72 anos que eu via ali era também o rapaz de 25, com toda a energia e vitalidade que eu imagino que mostrava em um show nos anos 60. As rugas declaram a idade, mas nos passos, nos sorrisos e nos olhares eu enxergava o Paul de sempre, o garoto de Liverpool com seu violão, que um dia conheceu um outro rapaz chamado John e então juntos mudaram o mundo. Estar em um grande show é como fazer parte da história. Eu olhava ao meu redor e enquanto a chuva caía forte nos meus olhos eu me perdia no tempo. Podia ser 2014 mas podia também ser 67 - quem pode dizer que não? E depois de Eight Days a Week, I've just seen a face, We can work it out, Let it be e tantas outras cancões que nunca cansamos de ouvir, chegou Hey Jude para me enlouquecer de vez. É sempre a parte mais emocionante - ouvir o coro de milhares de pessoas numa harmonia perfeita de um refrão tão conhecido e tão amado. A chuva caiu mais forte durante Hey Jude, e foi maravilhoso. O tempo parou, eu não pensei em mais nada, não filmei, não tirei fotos. Estava de corpo e alma presentes, soluçando de tanto chorar e cantando um na na na na na rouco que em minha cabeça ecoava o estádio todo. O na na na na é como um grito de guerra, uma multidão que se aglomerou toda pela mesma razão tentando dizer "estamos aqui por você!". Tenho certeza que ele também não se cansa de nos ouvir no looping infinito do na na na na na - a música é sempre igual mas ela nos transforma toda vez. O show durou quase três lindas horas, que passaram como um minuto mas duram na minha mente como os 50 anos de história que ele construiu - com os Beatles, Wings ou sozinho mesmo. A chuva parou assim que o show terminou, deixando tudo mais seco e mais triste, e nós partimos como quem se despede de um grande amor - com aquela esperança incessante de o ver novamente. Essa certeza eu nunca terei, mas me sinto completamente feliz e realizada por ter tido a chance de vivenciar 2 shows maravilhosos e ter feito parte dessa história linda. Ele também terá de partir, assim como seus amigos de banda e de vida fizeram há algum tempo. Mas sinto que a cada música tocada, aonde quer que seja, existe uma parte de todos eles que ainda vive. E se o Paul representa o remanescente de uma das coisas que eu mais amo na vida, tenho certeza quando digo que o show foi um dos momentos mais inesquecíveis da minha existência toda. E aposto que John e George também estavam lá, caindo em cada gota de chuva que enxaguava nossas almas da tristeza de um mundo sem os Beatles - e nos lembrava de que sempre seria possível imaginar.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Recordando que se ama

Como se saber quando se ama alguém? Acho que é quando fica fácil se lembrar do primeiro momento em que o viu. 

Com os outros, que já passaram ou passarão, este momento foi perdido pois muitas outras lembranças mais importante tomaram aquele espaço, ou você simplesmente não prestou atenção suficiente. Não há recordações do primeiro olhar, da cor da camisa, do clima que fazia ou do que se estava sentindo. Não há os fogos de artifício imaginários ou as borboletas no estômago. Não há nada pois não é necessário haver, não é o amor hipnotizante te chamando.

Acho que se sabe que é amor quando cada detalhe deste momento do primeiro encontro fica guardado. 

Eu lembro-me de tudo de quando te conheci. Lembro da chuva serena e tranquila que caia do céu, deixando a atmosfera um pouco mais triste mas também mais aconchegante; lembro-me do seu olhar já querendo me cumprimentar e também de toda a minha ansiedade querendo te dar um oi; lembro-me da sua roupa, de tocar seu braço, da como você me chamou pelo nome completo logo de cara. Sua camisa vermelha, seu cabelo liso caindo de lado numa feição perfeita; os detalhes do seu rosto, vindo até mim, me dando um aperto de mão. Nossas brincadeiras tímidas e já tão apaixonadas.

Acho que é assim que se sabe. 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Cansaços e descansos

Me preparando para uma semana de caos... Ombros doloridos, sentindo todo o peso da responsabilidade. Ah, que a vida seja mais descanso do que velocidade, que seja mais amor do que desprezo... 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Palavras

Minhas palavras soam quase sempre rudes demais ou amenas demais. Não consigo encontrar um equilíbrio em que a expressão seja sensata e compatível com meus pensamentos. Saiba que eu falo através dos olhos...

quarta-feira, 5 de março de 2014

Linda juventude

E eu aqui, ouvindo músicas de um tempo distante, de uma infância que nem parece mais a minha. Dos domingos felizes, nos quais era fácil viver e o difícil era escolher entre pega-pega ou esconde-esconde. Tantas melodias guardadas na alma, melodias não somente de notas, mas de cores e tons. De gostos. Tantas lembranças, tantos acasos. 
Como transformar a sala de estar em uma fortaleza, em um castelo, onde só as mais belas estórias eram contadas. Lençóis eram telhados e os corredores construídos com cadeiras eram tão grandiosos como um palácio. Era tudo parte de um reino distante, lindo e colorido, do qual éramos os donos. Quantas estórias! Páginas e páginas poderiam ter sido escritas com aquelas palavras da senhora mais nobre do reino. Palavras que preenchiam nossas vidas com doçura e encanto, naqueles domingos tranquilos e distantes.
E a melodia que agora ouço me leva para dentro desse castelo, , onde toda a família se encontrava.

Hoje, como nunca antes, senti saudade da minha família toda reunida nesses domingos tão bonitos.Mas existem coisas que foram feitas para ficar apenas na memória - e nas melodias.

História e estórias. Acho que família é isso.



sábado, 1 de março de 2014

The pray of the humming bird

The pray of the humming bird

Lonely as I was,
My thougths were all I could hear
Through the wild, though
The sounds of heaven
Were also calling me
It was deafening, the silence
The silence of a hundred claws
Crawling on the surface of my skin
And all over my mind
But suddenly, a terrifying noise
Dark wings flapping,
Slaping me on the face
Like it was not terrifying at all
It was only the sound
Of the pray of the humming bird
Begging for my weak, naked soul
While the rain comes to wash
The solitude of both our hearts
Down by the river,
The humming bird was all I had
The fear and the courage
Were all mixed in my head
But a pray sung in the forest
Remains forever
As the humming Bird
Would at any moment
Be only dead


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Escolhas

(...) É que no fim, tudo são escolhas. 

Venho me perguntando sobre qual caminho seguir, duvidando sobre o incerto, questionando o duvidoso, e desconfiando do correto. Mas sinto que, de um jeito ou de outro, quando se escolhe um caminho todos os outros são deixados para trás - e não há como caminhar de costas, a vida é uma via de mão-única.

Nao existem possibilidades, existem caminhos e existe uma possibilidade apenas - aquela da sua única escolha, que impreterivelmente precisa deixar as outras possibilidades para trás.

O hipotético é tão inútil - nada se constrói de hipóteses, são os fatos que se empilham para formar a muralha, são os dias, as ações. Não faz sentido viver de possibilidades inexistentes, de conjecturas inférteis. 

Tudo são escolhas.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Início de 2014: cansaços e felicidades

Primeiro mês de 2014: cansaços e felicidades. Não me parece justo o que foi me dado nesse início de ano, tanta agitação pra quem só pedia por paz, mas ao mesmo tempo, tanta esperança.
De doze partes, uma já se perdeu na dimensão do tempo, ficou pra trás, se esvaeceu no deserto dos sonhos e dos segundos vividos.
Mas que engraçado é o tempo... mistério de milênios e eternidades, e de ínfimos momentos, breves como um sorriso.
Comecei 2014 com muitas metas e objetivos, mas só agora percebo - as metas de início de ano são muito mais um desejo de autossatisfação do que objetivos concretos e irrefutáveis. Elas são o último sopro de esperança que resta depois dos últimos 365 dias, e elas gritam por renovação, por ilusões e sonhos.
Apesar de tudo, eu só queria deixar um lembrete a mim mesma: o tempo pode até correr, mas não se apresse - o universo flui sempre no ritmo que deve fluir, e ele traz sempre as mais belas conquistas quando olhamos com calma e gratidão para a vida.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Aceitação

Ah, mas que alívio, eu diria. Receber no penúltimo dia do ano uma aceitação assim tão pacífica e tão reconfortante, só pode ser um sinal de trégua e de paz pelo próximo ano e talvez também pelo resto da vida.
É muito bonito o que eu senti ao ler as palavras de meu pai, sempre tão permanentes sobre mim, sempre tão fortes. Dessa vez, no entanto, soaram leves... soaram como uma brisa de verão que vem para arrastar a alma agora tranquila depois de um inverno tão frio.
O entendimento não se dará de um dia para o outro, mas acredito que ele virá e vai assim poder abrir todas as portas que ainda não foram abertas. O primeiro passo já foi dado, e ter o único apoio de que eu preciso é fundamental.
Era tudo o que eu queria, uma aceitação para que o ano se iniciasse bem por completo. Agora eu a tenho, além de também ter me lembrado do amor do meu pai, do seu carinho por mim e do quanto isso me deixa feliz, pois também o amo infinitamente.

Obrigada - eu agradeço. Foi a melhor coisa que poderia acontecer nesses últimos dias do ano.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Quase 2014

Estou animada com a chegada de 2014. Me parece que as realizações e resoluções de ano novo sempre nos trazer uma alegria especial, uma esperança meio que renovada e ao mesmo tempo repetida. Todos os anos, quando um novo calendário está prestes a começar, a humanidade se enche de bons sentimentos, e é sempre assim, sempre os mesmos pedidos e metas novas que nem sempre são alcançadas.
Ainda sim, eu gosto de fazer pedidos e renovar minha esperança quando um novo ano está chegando. Uma nova chance nos é dada: iniciar um novo caminho com o pé direito, e que a partir dos primeiros segundos do dia já se comece a nova jornada.
Acredito que amanhã será assim também pra mim. Venho esperando uma nova jornada em 2014: com muita paz, muita calma, e ainda mais amor se é que isso é possível.
2013 me foi muito difícil, mas também muito recompensador - tive dores mas também alegrias, e me sinto muito agradecida por, apesar de tudo, em todos os momentos ter contado com o meu amor que estava sempre do meu lado.
Relevando as minhas dores e sofrimentos, acho que 2013 foi um ano lindo. Foi um ano de companheirismo, amor, e de descobertas. Foi um ano de agitação, mas também de silêncio. Fiz algumas modificações e hoje me sinto diferente, de dentro pra fora - mas quero que outras mudanças aconteçam em 2014. Sinto que 2013 foi uma preparação, uma fase de antecedência, para que então esse ano que está pra chegar seja definitivo.
Já tenho muitas modificações previstas para o ano novo, e sinto que vai ser tudo muito lindo e inovador pra mim. Sinto que estou a me transformar em mim mesma, numa metamorfose interna e íntima. 
Quero 2014 logo, quero novos rumos e possibilidades. Quero a mim mesma, e quero o meu amor também (em 2014 e pro resto da eternidade)...

E que venha o ano novo!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Longe

Venho sentindo uma necessidade interna de não sei o que. Sinto que talvez eu tenha me distanciado de minhas raízes, aquelas que são íntimas e familiares só no meu mundo. As palavras tem se negado para mim, assim como os acordes e arranjos que antes soavam tão mais simples aos meus toques e ouvidos.
O tempo não me fez nada melhor. Foi o que minhas mãos fizeram com o tempo que me transformaram. Não quero mais inércia nenhuma, não quero os segundos se esvoaçando no vento porque disso já basta a vida passando numa cadência difícil de acompanhar por completo.
Sinto que me perdi... Mas eu me perco todos os dias. Perco-me nas multidões de desejos e esperanças que batem forte em meu peito. Perco-me nas decisões e nas insistências, perco-me na rotina que não quero para mim.
Eu não sei bem o eu quero pra falar a verdade, e também ainda não sei quem sou. Mas os dias parecem mais amenos quando deslocamos o foco e talvez seja por isso que estou sempre desatenta.
Minha desatenção me irrita, mas ela é também a minha maior distração.

Fonte da leveza do meu ser, a minha desatenção funciona bem pra mim. Só não quero a inércia, dela já estou cheia.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Pantanal

E de um sonho ainda maior me veio um desejo: percorrer a Terra e me maravilhar com a natureza. Os pensamentos acabaram perdidos e as causas esquecidas, mas este sonho é o que me constrói por inteiro.
Posso dizer que a largada já foi dada, porque a estrada fez de mim o que eu sabia que um dia eventualmente seria.
Nada jamais me pareceu tão belo quanto a natureza que presenciei, quanto o espírito vivo do sol e da lua e de todos os organismos que equilibram o mundo.
Posso soar romântica sim, posso soar ingênua demais porque me encanto com os detalhes que ninguém vê. Mas os detalhes do que vivi são tudo o que eu mais lembro, e todas as memórias vivas dentro de mim são daqueles ínfimos instantes em que eu estava prestando atenção - com a alma mesmo - ao meu redor.
A melodia que tocava enquanto o sol se punha e as notas que se desmanchavam em cores ao tocar meu coração - são desses detalhes que me componho.
São as folhas das árvores balançando, o vento que refrescava a alma quando não havia sombra alguma. Os raios de sol no amanhecer, um canto conhecido que ficava distante enquanto a estrada era percorrida.
Mas que além dos detalhes fiquem também as impressões e as certezas, as amizades e as dúvidas também. Que fiquem o calor, a chuva, o vento, a vida e o equilíbrio de uma terra que não me esquecerei jamais.
E que fique o amor na história da minha vida...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

It's written and safe.

And then I am glad that I've written it all.

Memories are always memories and they are kept in the farrest places in our heads, and sometimes it is good to help the brain: that's what papers and photographs are for.
I may have forgotten some details, I may have said less than I could, but it's still there with all my emotions: the story about when I fell in love with you. For anyone that want to see it, or hear it, or be amazed by it.

It's safe.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Warm afternoon

It's a warm afternoon, from a time just lost in time. I hear the sound of trumpets and flutes across the street, and the others sounds are equally hidden in the madness of the world outside.
I can't go out. It hurts so much that it's safer for me to stay home. But my despair is really about it: I need to go, with the pain or not.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Dia do Biólogo

E da simplicidade da vida me veio o desejo de entendê-la. Entender todos os seus caprichos e todos os seus paradoxos, todas as harmonias que juntas levam ao maior tipo de sofisticação já descoberta.
Desde a peculiaridade de uma mínima célula até a grandiosidade dos mais diversos ecossistemas do planeta, eu tenho uma única certeza: é desse intervalo que eu quero viver. Do intervalo da vida, da natureza, dos animais, das plantas, dos organismos mais diferentes que já passaram pela Terra.
Eu ainda não sei qual caminho específico dentro da biologia eu vou seguir, mas creio que seja uma decisão não assim tão permanente. Limitar o conhecimento é uma forma de ignorância e tudo que quero na vida é expandir a minha mente o máximo que eu puder.
O único caminho que acho plausível para um conhecimento tão amplo quanto a própria vida em si, é sendo biólogo.
Perdoem-me as outras profissões, mas a biologia é o que eu conheço de mais extraordinário e maravilhoso.

FELIZ DIA DO BIÓLOGO!

domingo, 28 de julho de 2013

E sobre a minha indignação com o povo que se intitula da comunidade pensante das nossas terras, que fique o meu arrependimento de um dia ter sido tão ingênua...

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Home is wherever your heart is

And everything that I truly have is not capable of touching. My mind and my heart are too busy being the guide to my spirit and nothing matters if it's not about love.
I've searched every desire and fear inside of me, and when I really look deep inside, I know which road to take. I know that true home isn't any place on Earth, but wherever your heart is. 

domingo, 21 de julho de 2013

Pra longe, sem pressa

E depois de tirar a poeira e lavar as mãos, eu abotoei o casaco e amarrei os sapatos e sai em direção ao sol. Caminhei vagamente pela estrada, assoviando aquela antiga melodia de dormir, sentindo um pouco do vento no meu rosto. Parei para admirar as flores e o horizonte, que brilhava no fundo com o sol que se deitava sobre a imensidão do céu escuro. 
Eu sabia que não estava perdida mas aquela ânsia de se perder propositalmente era tão grande. As árvores me chamavam para dentro da floresta, onde eu podia dançar e correr e conversar com os animais e as plantas. O cheiro da terra e aquele silêncio quase que ensurdecedor eram muito irresistíveis.
Eu não estava perdida, mas durante algum tempo eu escolhi me perder.
Olhei para as estrelas e no breve período que dura uma respiração, eu decidi. Eu corri e corri e andei e corri e tudo parecia diferente aos meus olhos ansiosos e confusos. A corrida só me cansou e eu queria voltar à minha caminhada leve e lenta, aquela na qual eu sentia o vento e cantarolava e não pensava em nada senão aproveitar a vista e reparar nos detalhes do universo. 
A pressa estragou a caminhada e naquele instante ínfimo de decisão é que se repousa todo o ressentimento humano.





segunda-feira, 15 de julho de 2013

Not all those who wander are lost

I now feel that fear is probably the most powerful tool to get me to life. I feel that maybe leaving it all behind should get me a great adventure.
Once I was thinking what would be like to just walk the world? To not plan, not worry, at all? I don't have any solutions, I don't have it safely with me. But I do have this instinct, this wild urgency that calls me from nature and from the farests places I could ever go.
I know, deeply inside of me, that my fate is not to stay here and it's not to be safe, too. I know, when I look right into your eyes, that we have great adventures ahead of us, and that our way through life is really going to be breath taking.
So, please, don't ask me to stay and don't accuse me for being this brave. I can't help this feeling and this courage. I can't help being who I am. Please, don't judge me for living the magic, for walking, for wandering and for discovering.
You and me, we're going to be at the mountains when the bad days come and the fire will warm us. There is nothing to worry about.
I'm going on an adventure and the melody of it sounds just astonishing. And I will probably get scared, too. But it's really going to be an adventure... I'm going on an adventure!


sábado, 6 de julho de 2013

Realidade

E onde fica a realidade? Meus dias tem passado tão estranhos, tão não reais. Eu ainda não descobri a linha limite entre realidade e fantasia, entre o mundo real e o mundo construído por mim.
Venho tentando há algum tempo, mas ainda nada. Parece-me que só consigo assimilar uma parte do que me vem como informação, enquanto todo o resto é inventado, ou sonhado talvez.
Mesmo assim eu ainda quero a realidade. Porque a realidade quando dividida é o único jeito de saber que se viveu, ou que se amou. E viver alienado a qualquer instante de realidade é também como não estar aqui.
Mas eu não posso falar ainda sobre planos. Porque eu sinto que cheguei muito perto de saber qual estrada seguir, mas ainda não consigo caminhar por ela. Ainda estou meio fraca porque ser feliz é muito desgastante. E qual o tempo que pode se dedicar à realidade quando a fantasia é a fonte do que te faz feliz?
Esgotar a fonte parece-me ser a minha salvação. Talvez um pouco de tristeza seja sempre necessária e inata ao ser humano. Pelo menos eu enxergo agora que preciso dela pra voltar à realidade. Aquela velha e dura realidade de se viver.




quarta-feira, 5 de junho de 2013

Bad trip

Fica cada vez mais difícil de contar.

O ritmo de quatro dias de loucura ainda toca na minha cabeça - Onde eu estava? Só bastou saber que estava com você.
O medo me tomou de uma forma descontrolada, agonizante. Eu estava sozinha no mundo e ao mesmo tempo todo o resto da humanidade estava rindo de mim. Na minha cabeça foi tudo tão estrondoso, mesmo agora eu tendo noção de que não era. No momento é bem difícil, o momento se torna a sua vida e se torna o universo inteiro.
Acho que se estivesse sozinha eu teria desmoronado, talvez teria saído gritando, pedindo socorro, pedindo a minha mente de volta. A percepção é tão universal...
Mas eu não estava sozinha, e sei que nunca vou estar. Você entendeu as minhas lágrimas e consolou a minha angústia. Cuidou de mim. Me disse todas as vezes que foram necessárias que ia ficar tudo bem, que estava tudo bem.
Você me abraçou, me cobriu, me esquentou do frio congelante que fazia fora da nossa barraca. Passou a mão no meu rosto, no meu cabelo, prometeu que nunca me deixaria.
O medo diminuía quando você me abraçava e enxugava minhas lágrimas, e eu só consigo lembrar de você dizendo que me amava e que ia cuidar de mim até o fim dos tempos.
A paranoia continuava, o universo estava todo dentro da minha cabeça... O medo de morrer era inerente e a minha respiração parecia estar tão escassa.
Mas você cuidou de mim, e depois de um certo tempo o efeito tinha ficado menos intenso. Você me abraçou, me esquentou mais um pouco, me disse outras mil coisas bonitas.
Depois desse tempo, e de muito medo, eu acabei conseguindo dormir...
Voltei pro meu inconsciente, onde há uma hora atrás eu morria de medo de estar. Eu chorava ao fechar os olhos.
Mas eu insisti, e depois de algum custo, eu caí no sono.
Acordei no outro dia ao lado do homem da minha vida, e sabia que como na noite passada, ele cuidaria de mim para toda a eternidade...

sábado, 11 de maio de 2013

Dor de cabeça

Vontade de escrever, ponto. Os dias se esvoaçando como poeira no céu, e a dor de cabeça pontiaguda me cutucando agora quase que constantemente.
Qual é o tempo em que se para, se olha, e se diz: Eu sou feliz?
Eu não sei.
As vezes queria ser mais interessante, ter nascido numa cidadezinha pequena no leste da Suíça, ter algum talento nato pra arte e ser um pouco mais louca pra algumas coisas.
Mas não sou.
Sou Rio Claro. Sou outubro de 1992, sou educação tradicional de pais que são ainda casados. Sou os erros, os arrependimentos já até esquecidos, sou minhas escolhas e delas me colherei eternamente.
Mas e a felicidade? E quando por mais que você esteja feliz, não sobra tempo pra você esbanjar um pouco dela? E as vezes também não sobra tempo pra si mesmo...
Eu não sei, não sei.
Talvez eu precise de mais tempo, mas o tempo se dispara pra longe cada vez que eu penso em agarrá-lo.
Eu queria estar sã, ser sã. Mas não sou.
E o tempo para os loucos é outro, meu caro. Sinto dizer...

domingo, 10 de março de 2013

Lalande

Lalande é como lágrimas de anjo. Sabe o que é lágrimas de anjo? Uma espécie de narcisinho, qualquer brisa inclina ele de um lado para outro. Lalande é também mar de madrugada, quando nenhum olhar ainda viu a praia, quando o sol não nasceu. Toda vez que eu disser: Lalande, você deve sentir a vibração fresca e salgada do mar, deve andar ao longo da praia ainda escurecida, devagar, nu. Em breve você sentirá Lalande.

domingo, 13 de janeiro de 2013

January, 13

And it was that kind of love that was more than love.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dezembro, 31

Não sei como contar. Tento organizar as palavras e nada - A única imagem que me vem à cabeça são aqueles olhos infinitos que compartilharam sua existência comigo.
Tentei  me conter, tentei não chorar, eu juro. Mas foi quase inútil minha tentativa - As lágrimas desceram como um rio, deliberadamente sem direção. Eram lágrimas felizes porque estavam expostas. Naquele momento, num ínfimo instante que mudou meu mundo, eu estava exposta e tudo estava exposto. Ele estava exposto à mim também.
Ah, o silêncio do encontro!
É tão difícil se concentrar, se puxar de volta ao chão. Porque tudo de repente só faz sentido dentro daqueles olhos e não há nada mais perfeito no mundo; nada mais completo.
E se eu quisesse mesmo descrever esse momento - coisa que eu talvez nem queira porque é de uma intimidade tão nossa - eu diria que é como a morte. A morte seguida de uma ressurreição das suas próprias cinzas. Eu me matei naquele momento para ressurgir como amor; como vida compartilhada.
Foi lindo, lindo. De uma emoção assim quase que universal. Eu me senti infinita porque o nosso amor é infinito, e tudo que viveremos vai ser eterno.
Eu estou tentando contar, mas acredite, não está funcionando. Não estou conseguindo traduzir o que senti, muito menos a energia daquele encontro, daquele olhar, daquela conversa.
Acho que é algo de só se sentir mesmo.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Shine on,

You crazy diamond.

E o mundo não acabou (Das coisas que aprendi em 2012)

(...)

Fiquei meio chateada quando o mundo não acabou. Eram tantas expectativas para o apocalipse, tantos desejos que foram jogados fora em vão. Eu fiquei chateada porque não sei ao certo se queria mesmo a vida ou se queria uma desculpa para poder ir embora dignamente. Se o mundo acabasse iríamos todos embora juntos, e isso seria digno de uma morte. Não seria como suicídio.

De qualquer maneira estamos hoje em 22 de dezembro de 2012 e o mundo não acabou ontem. Está na hora de desfazer as malas e se aprontar pra ficar mais um pouco, pra enfrentar 2013.

E das coisas que aprendi em 2012, algumas delas foram tão simples e outras muito confusas - assim como eu.
Eu aprendi que crescer é difícil;
Que os momentos mais importantes são os que parecem menos significantes. São aqueles bem cotidianos mesmo - são os cafés em manhãs chuvosas e os eu te amo mais inesperados.
Aprendi que eu preciso estudar mais se quiser ser uma boa bióloga;
Aprendi que o ato de viver é intrínseco a cada segundo que você respira, e não só aos momentos que você considera importantes;
Aprendi a ver a generosidade e a ser generosa;
Aprendi a ver a morte; chorei por ela, mas aprendi a vê-la;

Não queria que tantos aprendizados fossem em vão.
Acho que o que eu mais quero pra 2013 é conseguir levar toda essa bagagem de 2012 de um jeito inteligente, racional, de uma forma que eu os aproveite bem em 2013.

E que venha o ano novo!



2012?

Eu poderia começar a falar em alegrias e desesperos mas eu acho que ainda vou falar de esperança. Porque agora, assim nos últimos suspiros de 2012, eu percebo que nunca é tarde para se senti-la.
O meu ano foi conturbado. Não tenho outra palavra para descrevê-lo porque não foi em todo ruim ou bom. Não foi de um extremo ou outro, não teve uma exatidão só. 2012 foi de uma realidade paralela da qual eu acordei só agora. Ou talvez tenha sido de uma realidade tão real na qual eu me obriguei a não estar presente, e agora sim é que tenho minha realidade paralela - Não sei, estou confusa. - Continuo me descobrindo, descobrindo o universo...
2012 foi meio que epifânico; foi de uma tentativa acelerada de engolir o mundo enquanto tudo que eu precisava fazer era saboreá-lo, mastigá-lo sem pressa. Mas as epifanias vieram quando eu menos esperei, quando tudo parecia já perdido há algum tempo. As descobertas vieram depois dos tombos e os tombos vieram de caminhos tortuosos que eu escolhi pegar, e que hoje já não pego mais.
Nos intermédios dos lapsos de memória estão os momentos ocultos de 2012. São aqueles intervalos entre segundos, aqueles instantes perdidos, desperdiçados.
Só que eu não quero mais desperdiçar e também não quero mais jurar nada.
Não quero desejar um 2013 de sucesso, paz e amor, porque agora já tenho encrustado na minha existência toda a culpa de se viver. Eu cresci, sou uma mulher em toda a minha extensão de ex-menina inocente, e não quero desejar nada a ninguém. Quero o que tenho agora, quero a mim e o meu amor. E só.








Extravios da estrada de mim

E de repente eu me vi arrancada da minha comodidade de menina. Vi-me exposta ao mundo real; com queimaduras de sol e arranhões de asfalto, onde as pessoas estão todas nas ruas, e não em suas casas.
Eu me peguei em uma transição tão brusca que não tive como querê-la ou não - me foi escolhido esse caminho.
O fato é que eu me vi então entre essa escolha, entre o amor e eu. É tão contraditório, eu sei, pois o amor em si sou eu. Mas a minha vida até então tinha sido feita de amor de brincadeirinha, de casinha, de pai e mãe. Eu tinha sido feita dentro de casa - na comodidade, na afeição, na proteção.
E de repente eu me extraviei. Só que eu sempre quis esses extravios, eu costumava lutar por eles. E só agora percebo o quanto eu realmente não os queria. Ou talvez eu os queria quando eles eram de mentira, e eu ainda podia voltar ao ninho. Mas agora não, agora é tarde demais. Agora eu não os quero porque eles são a minha única opção e eu tenho problemas com vontades e imposições.
Mas o ato de acordar pra vida me veio então na forma de amor. E os extravios, mesmo que impostos, são de uma imposição desejada, de uma imposição necessária para o meu crescimento, para a minha transformação de menina em mulher.
Porque estar em casa me resume a tão pouco. Eu preciso de lagos grandes, de montanhas que alcançam o topo do céus. Eu não quero ser resumida a pouco porque a minha essência é grande demais, e esse amor está me ajudando a ser curada da minha preguiça.
É tão bom sentir a cura! Difícil mesmo é lutar contra a inércia que me puxa de volta a minha zona de conforto, mesmo eu sabendo que não a quero, que quero o exato contrário dela.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Certezas

E então eu tive certeza. 

Foi como extrair de cada minimo pedaço do meu corpo tudo o que me mantém viva e, de um jeito irreversível, entregar a ele. Foi aquela exposição suave de tudo o que sou e que tenho, aquela ternura morna de nascer do sol - assim de quando ninguém acordou e o mundo gira mais lento.
Foi como uma fotografia instantânea da minha intimidade, extravasada em meu olhar. Eu era transparente pra ele - e eu nada mais seria sem aquela intimidade que extravasava em amor.

E com a certeza veio a verdade. Aquela verdade simples e constante, do tipo das maiores verdades do universo. Não era como a física pois suas leis já não valiam para nós - nós ignorávamos qualquer lei que existisse.
E nós éramos também como a mesma essência em dois corpos diferentes, que se encontraram não por intermédio do destino, mas sim por puro magnetismo e sincronia. Um magnetismo irrefutável, que age tanto pra perto quanto pra longe, em todas as escalas de tempo.  

Não foi como nos filmes porque foi mais bonito. Foi de uma alegria que transcende a alma, que liberta o espírito nos domínios da alma do outro - e esse é o tipo mais sereno de liberdade que existe porque é uma liberdade compartilhada.
E  a liberdade que se compartilha é como um fundamento do amor.

Porque o amor não é como se conta... O amor é o encontro das águas de dois rios que se juntam em um só para chegarem ao oceano juntos. O amor é a turbulência dessas águas difundido num fluxo perfeito, rítmico. E o compasso em que as águas se movem são do mais belo alívio da natureza, que criou em nós um elo assim tão magnífico quanto toda a sua extensão.

E assim já se era amor, e eu tive certeza - sou toda feita dele. E me dou a você, meu amor, até depois que o pra sempre do mundo acabar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Do amor

E eu só precisava dizer que eu quero os terremotos e os avalanches. Quero as enchentes e os furacões, quero tudo de mais intenso e mortal que puder existir - porque o amor em si é tão fatal que mata tanto quando existe e também quando não.
Porque eu não consigo permanecer racional enquanto amo e o amor não é coisa de se sentir pela metade - você sabe quando ama alguém.
E eu queria expressar o quanto de felicidade você me traz mas isso já nem é possível, é tanta felicidade que me faz engasgar ao tentar pronunciá-la. E é sublime, sabe, assim como estar com você. E ter o seu cheiro encrustado à minha pele no fim do dia é tudo o que eu quero pra minha alegria cotidiana.
E talvez viajar com você, tomar um café no fim da tarde ou em uma manhã chuvosa depois de acordarmos juntos na sua cama. Respirar no mesmo ritmo, andar na mesma velocidade. Compartilhar risos e também desgraças (mas que essas sejam pouco frequentes).
E eu precisava dizer que eu quero me render. Mergulhar nas terras desconhecidas da sua alma e amar cada peculiaridade da sua existência - cada detalhe, cada defeito, cada perfeição. Precisava dizer que te amo, e é assim simples o que eu sinto - como sentir a chuva caindo e adorar que a roupa mais linda que eu tenho está sendo encharcada.


domingo, 4 de novembro de 2012

Transbordada

E a felicidade chegou nas lágrimas que eu segurei. Subiu pela minha garganta, tão frenética e real que eu pude vê-la ocupando todo o espaço à minha volta; e todo o meu ser se explodiu em uma confusão de serenidade e alegria.
Eu me poupei das lágrimas e abri um sorriso do tamanho do mundo. Deixei transparecer toda minha alma, que estava agora aberta e disponível só para ele.
Foi como flutuar. Se sentir tão inexoravelmente leve que a gravidade não faz mais sentido e tudo que se vê são as coisas que não se pode ver e tudo que se sente é oque não estava ao alcance até então.
E acho que alcançar é assim - bonito, tranquilo. É ver o amor de perto e não temer nenhuma das suas faces traiçoeiras, nenhum de seus lados assim não tão bonitos.
E ver o amor de perto me pareceu ser tudo o que eu preciso.

sábado, 27 de outubro de 2012

Na varanda

Ah! E que vontade linda de te encontrar, sentar na varanda, tomar um café. Me refazer dos seus beijos e olhares, das suas confusões e certezas. Te olhar fundo, provocando. Sentir e sentir e sentir de novo a alegria de te ter por perto.

Quantas ironias!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Da libertação e serenidade

Parei um instante, prestei atenção. Refiz meus pensamentos, deixei os neurônios se ligarem de novo e senti no coração a peculiaridade daquele momento.
Eu estava satisfeita, não precisava de mais nada.
Foi de uma liberdade tão extrema que meus olhos se fecharam para senti-la melhor e tudo que eu pude fazer foi ceder ao momento e ao adeus.
É preciso saber a hora de deixar, de partir. É necessário a desconfiança e o desapego - dos sentimentos, das insistências.
E as epifanias vieram enquanto os minutos seguintes que se desmancharam pelas minhas mãos. Aquela nova percepção de espaço e de felicidade.
Acho que só o amor mesmo.

(...)

Mas não sei, não. Ainda falta muito pra caminhar e percorrer e aperfeiçoar e construir. Mas o que agora posso afirmar é que foi dado mais um passo - mais uns anos luz em direção ao sol, em direção a luz! Aquela luz da qual tanto preciso, a qual tanto quero e aprecio. A luz que traz paz e serenidade - o bem estar de uma vida aberta, tão externa quanto a casca da fruta, pronta para ser devorada e digerida.

(...)

E eu acho que só o amor mesmo.

domingo, 21 de outubro de 2012

O tempo não pára, e agora já se vão meus 19.

O tempo não pára, meu amigo. O sol nasce todos os dias para nós e as horas se vão como estrelas cadentes a cada sessenta minutos que contam no relógio. As horas se vão, a gente se vai.
Sinto em minha pele os desastres do tempo. Sinto no coração os apelos da alma.
Completar vinte anos de existência e sentir como se já carregasse um século - pesa demais nos ombros.
Pois carrego. Carrego meus vinte, meus cem; carrego a amargura de uma alma aprisionada e de asas cortadas, arrancadas. Carrego meus precipícios e salto de vez em quando - quando bate o desespero de me enxergar na atualidade assustadora na qual obrigatoriamente me inseriram - eu não pedi.
E que os cegos me perdoem por tanto desdém, mas nossos olhos não prestam. São de uma funcionalidade tão superficial, desnecessária. Eles marcam a nossa existência e medem os defeitos, de cima a baixo. Juro que não precisava disso...
Juro que só precisava de amor e ponto. Amor que acolhe, que compartilha. Juro que é tudo que preciso e quero. Pois meus vinte anos hoje são feitos de solidão, angústia e culpa, enquanto na verdade deveriam ser feitos de chocolate, de azul de céu, de mar. Deveriam ser feitos de sol, lá, si; de melodias carregadas de vida. E de paixão.
Talvez seja assim em um universo bem distante, paralelo. Outra história, mesmo destino. Diversos caminhos a serem traçados mas a mesma e única meta no fim - fazer viver ter valido a pena.
E não é que ainda da tempo?

Vamos ver...




sábado, 20 de outubro de 2012

Nostalgic

And the rain felt like happiness even in the darkest days.

Life was peaceful, clear. The roads were always leading me to some place where I'd die to be and the skies were never so beautiful.

I remember the smell of the grass outside my room and our messed kitchen. I remember the keys and the long walks to town. I remember the bus rides and those little sweets in all those pretty coffee places. I remember the huge buildings, where knowledge used to be made. I remember the mazes, the games, the fun. I remember the voices, the faces, the hours that I spent with you - Wondering if I would ever see you again.


I remember that feeling - the most lovely of all my existence.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Últimos suspiros

É que sabe, eu tenho me assustado bastante ultimamente - com meus pensamentos, minhas idéias, minhas atitudes.

E falo dos meus pensamentos tão naturalmente comigo mesma, ainda sim. Só sei que assustariam os outros muito mais que a mim... acho que haveria um certo tipo de desaprovação seguido de afastamento e talvez um pouco de pena.

Mas sabe, não entendo. O que tem de tão errado em querer parar de viver um pouco?


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Deve ser assim o amor...

E deve ser assim o amor - o coração batendo forte no peito e o sorriso perdido no rosto.

Brisa de verão.

Estou sentindo e sinto não porque me mandei antes - estou me mandando parar mas o sentimento já se é, em todos os seus milímetros de amor e ternura.

Estou sentindo e sinto não o já alcançado - estou é bem longe de alcançar, de tocar, de ser também o alvo como ele já o é pra mim.

E deve ser assim o amor...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Início de outubro e a vida já rasgada

E foi então que eu percebi que estava viciada na dor - aquela dor que arranca não só água dos olhos mas também um pouco de vida da existência. Insistir na mesma dose diária de angústia, desespero, culpa e autodestruição não pode ter outro nome senão vício, e esse vício me consome assim de dentro pra fora e de fora pra dentro e me consome como se fosse tudo o que restasse.

"Do que você tem medo?"

Ah! Os paradoxos da mente humana...

"Eu tenho medo de mim" - Eu responderia, sem medo algum de julgamento.

O único julgamento que temo é o meu, perante toda a minha covardia e incapacidade.

Eu tenho medo da minha própria mente...


Nunca

E no fim eu nunca disse. E ele nunca soube. E nos perdemos para sempre.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Atrás do espelho

Eu acho que não sei escrever sobre o mundo. Sou tão intimista, egoísta e alheia das outras realidades externas a mim que simplesmente não sei me enxergar nelas.
Sou inteiramente o que me enxergo.

Mas o que enxergo?

(...)

E então os espelhos se quebraram e o vazio perpétuo sobrou de uma angústia quase sufocante. Não sabia o que era senão sua imagem física daquele vidro que reflete a gente.
Os espelhos se quebraram e não dava para atravessá-los mais, para aquela outra realidade atrás do que existe aqui - a fuga dos que se perderam e se entregaram demais para encontrar qualquer outro caminho que não levasse à escolha própria.
Mas encarar o fato intrínseco de se aceitar e enquanto isso ter que lidar com rejeições alheias é como ácido - corrói tão fundo que chega a doer na alma.
É sentir o prazer e depois ter de vê-lo sendo arrancado, desmanchado e dilacerado diante de sua já esquecida felicidade.
Os espelhos se quebraram mas sobrou também a descoberta - de se enxergar não só como parte viva do mundo, mas como o mundo em si. Porque existem tantos universos quanto são as almas que vagam pelo universo de deus, e a única realidade é aquela que se planta em si mesmo.

Não há outras, não há nada - só a realidade plantada no seu universo e o milésimo de segundo instantâneo e vazio que já se esgotou enquanto se pensava na existência dele.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Fim de setembro

É o silêncio que agora me assusta. Venho com esse aperto constante no coração e que parece me consumir por inteira quando eu me deixo levar pelas imagens refletidas e as expectativas não completas.
O dia está nublado hoje - faz tempo de chuva e muito calor numa época alheia à temperaturas ardentes. O céu está fechando e algumas gotas já vão se desprendendo das nuvens. Ouço um trovão, sim, agora, nesse instante. Ah! O externo me assusta tão pouco...

Mas que mistério o tempo! Fico intrigada mas já não paro para pensar nele. No entanto pude presenciá-lo assim de pertinho outro dia. A imagem que eu tinha guardada se desfez em tantos pedaços quanto os fios de cabelo que ainda restavam.
E que seja assim o fim da vida, mas que não seja o fim!

Eu não sei como me expressar...


E agora está chovendo demasiadamente. Gotas pesadas molhando a cidade...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Às margens da minha existência eu fui me deixando, poluindo as águas claras e brilhantes que um dia me preenchiam... de beleza e felicidade. Pisquei os olhos e estava sentada sozinha, me amargurando toda, lembrando de como a vida me fazia bem. Senti a dor, rasguei a pele, deixei as águas agora turvas escorrerem pelo meu rosto.
Ah, meu rosto com marcas do tempo! Quase 20 anos e nenhum sinal de vida - As expectativas quebradas e a realidade pedindo carona. Meu sorriso seco, falso, digno de rendição e complacência acompanhando meus olhos, perdidos no horizonte do mundo que me apresentam agora e não é nada como eu sonhava.
Sentir a dor é o que eu preciso pois sofrer é para os fortes. Viver é sofrimento alheio à algumas pequenas felicidades instantâneas, e viver, de verdade, é para os que insistem.
Insistir em ser, em explorar, em se impor. Desejos e ilusões são fantasias infantis de um mundo que desmorona quando se pega sentado, mirando o destino e não vendo nada senão o momento ínfimo desse instante.


Ódio

Lembrei-me novamente de como é me odiar.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Dear distance,

E aqui estou eu novamente: com uma xícara de café na mão e as expectativas todas quebradas - e um pouco do coração também.
Não queria falar disso, muito menos me expor assim tão nitidamente usando essas palavras que saem lá do fundo da alma e tentam dar uma explicação; Mas não há outra solução senão essa, e a exposição me parece cada vez mais uma ótima maneira de se render.
E foi isso que decidi; me render. Rendi-me diante da sua frieza e desinteresse, diante da minha paixão e admiração. Decidi me render pois foi o único jeito que encontrei de não sofrer tanto, já que tudo ao meu redor me leva ao sofrimento e a aceitação, ao contrário, me leva a outras direções não tão dolorosas.
Sim, resolvi aceitar esse sentimento - mesmo que abraça-lo leve-me a minha própria solidão e afastamento.

Ah! Mas o que seria do mundo sem os apaixonados?

E é por ser assim, apaixonada, que direciono todos os meus apegos a esse amor. E mesmo que ele exista somente dentro de mim, não me preocupo - é o único lugar em que ele precisa existir para que possa ser verdadeiro e completar um pouquinho do que falta aqui no meu ínfimo pedaço de existência.




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

The land of anything

Well may the elfs say I'm lying
but I have really been there
in those places you dream about
where magic is all you have

I could compare it to the earth
but I wouldn't be so mean
you should try it once
by your self, not me

I could bring a picture
and let you imagine the taste
but I'd rather just throw ourselfs inside it
it's possible, you know, everything is

I call it the land of anything
because if you dig, you may find nothing
and yet,
if you dig, you may find everything.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Agosto, 27.

Não me venha com cautelas, não. Ando descobrindo novos horizontes e uma coisa me parece fazer ainda mais sentido agora... Os exageros e excessos são o que nos levam ao ponto máximo da vida.
Viver com cuidado, observando criticamente todos os milímetros por onde se pisa é como uma perda de tempo - se jogar nos abismos do desconhecido é o que nos leva a verdadeira paixão de se estar vivo.

Pois não adianta esperar felicidade se não se está aberto a ela.

Só que se jogar é, ao mesmo tempo, muito difícil, eu sei. E dói também. Só que pode acreditar em mim, vai doer mais.

Mas abraçar a vida é até agora o único jeito que eu conheço de se anestesiar.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu juro que (não)

Eu juro. Eu juro que não quero mais, não me quero mais. Mas a frequência das incertezas só se torna maior enquanto eu tento fugir de mim.
Talvez fugir não seja a solução - e isso é tudo que eu tenho feito ultimamente. Talvez o espasmo doloroso da realidade seja o último pedido necessário. Sofrer seria então somente mais um detalhe na alegria da vida, até porque eu já nem me recordo mais como é viver sem dor.
E assim talvez eu enxergaria, como antes quando era inocente, o caminho sem seus obstáculos e sem suas curvas tortuosas que me derrubam quase todos os dias.


Eu vejo com mais clareza agora... depois de tanto tempo nesse marasmo que me obriga a me desfazer inteira e sentir vontade de não viver (não de morrer, mas de não viver). Eu entendo melhor que minha visão possa sim estar equivocada e que o julgamento alheio não é tão peculiar quanto o dos meus próprios fantasmas.


Eu sonhei com um dos meus fantasmas hoje. Foi um tanto assustador porque ele me devorava e eu pedia ajuda de Deus. Mas então eu acordei e ... Não tinha mais nada - só todo o resto da minha existência me encarando de frente. E eu pensei, por alguns segundos, se preferia voltar ao pesadelo ou abrir os olhos. 


É porque meus olhos ainda não estavam abertos. Abrir os olhos significa se mostrar ciente da vida e tudo o que eu mais queria era não estar ciente. Acredito que naquele momento eu tenha preferido voltar a ser devorada no sonho - a realidade assustava mais.


Ah... já faz tanto tempo. Eu me sinto doente mas me sinto bem quando a dor é toda esvaziada em lágrimas. Também me sinto bem quando estou anestesiada pela alegria e quando me sinto curada. A troca seria da felicidade, perene, pela alegria instantânea de se entorpecer.


Mas a efemeridade da vida as vezes é tão mais bonita! É uma pena que machuque tanto.