domingo, 21 de julho de 2013

Pra longe, sem pressa

E depois de tirar a poeira e lavar as mãos, eu abotoei o casaco e amarrei os sapatos e sai em direção ao sol. Caminhei vagamente pela estrada, assoviando aquela antiga melodia de dormir, sentindo um pouco do vento no meu rosto. Parei para admirar as flores e o horizonte, que brilhava no fundo com o sol que se deitava sobre a imensidão do céu escuro. 
Eu sabia que não estava perdida mas aquela ânsia de se perder propositalmente era tão grande. As árvores me chamavam para dentro da floresta, onde eu podia dançar e correr e conversar com os animais e as plantas. O cheiro da terra e aquele silêncio quase que ensurdecedor eram muito irresistíveis.
Eu não estava perdida, mas durante algum tempo eu escolhi me perder.
Olhei para as estrelas e no breve período que dura uma respiração, eu decidi. Eu corri e corri e andei e corri e tudo parecia diferente aos meus olhos ansiosos e confusos. A corrida só me cansou e eu queria voltar à minha caminhada leve e lenta, aquela na qual eu sentia o vento e cantarolava e não pensava em nada senão aproveitar a vista e reparar nos detalhes do universo. 
A pressa estragou a caminhada e naquele instante ínfimo de decisão é que se repousa todo o ressentimento humano.





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