segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Doce ilusão

Se hoje consigo descrever minhas memórias, é porque o tempo tenha talvez se encarregado de me desiludir. Ou a foi a ilusão quem se tornou doce e leve, de modo a me poupar das desconfianças do passado, das dúvidas com as quais morrerei. Mas essas dúvidas não são assim tão cruéis, e a própria vida talvez não tenha graça sem as perguntas e as curiosidades incessantes do ser humano. Não há como saber tudo – Sócrates já declarava não saber nada. Quem sou eu para querer saber algo?
Minhas memórias, no entanto, mostram incerteza. Algumas se apagaram, outras estão pouco nítidas. Algumas confundo com meus próprios sonhos, e fico sem prova alguma de terem sido de fato realidade.
Porque o problema de viver tempos muito bons é não saber se comportar quando eles acabam. 
- Tudo acaba não? – Ninguém me respondeu.
 E o tempo não se clareou. Ao contrário, depois de dias e dias de sol, lá fora chove. Depois de semanas e semanas de lividez e liberdade, lá fora vejo somente a escuridão. 

Até quando?

Um comentário:

Mário Pires disse...

Simplesmente simples e verdadeiro, adoro sua essência ! ;***