Se a inspiração não orbita diariamente meus neurônios ávidos de cálculos e metrificações, talvez seja porque a vida me paralisou. Perdas... perdas instantâneas e retrógradas, que abalaram meu cotidiano e os planos que eu fazia há algum tempo atrás. Isso é sobre mim, uma descarga de emoções aprisionadas de fora pra dentro. É sobre o mundo que eu conheci, e as asas que nascem constantemente sobre as minhas costas. É sobre as tempestades de alma, os gritos abafados pela agitação das pessoas em volta.
Eu prefiro estar sozinha...
E assim as vezes vem a inspiração. Lá do abismo mais fundo dos pensamentos ocultos pelo inconsciente; dos relapsos de memória que insistem em me perturbar.
Nada me reanima, porém. Procuro em todos os abismos, mergulho nos mais distantes mares dentro de mim - mas continuo paralisada. A ausência de algo que não me vêm à cabeça e a presença da saudade daquilo que nem sequer consigo dar nome me afetam deliberadamente, todos os segundos que sonho acordada. Porque durante à noite os sonhos são outros, fazem parte de outra dimensão, um mundo alheio aos meus problemas de adolescente. Um mundo que pertence ao meu inconsciente de 67 anos de idade, e o qual eu não consigo descrever - porque a alma sente, não diz.
E eu também prefiro sentir. Sentir na realidade aguçada do toque, do cheiro, do olhar.
Tudo em mim é sentimento, cada célula da última camada da derme que transmite impulsos nervosos ao cérebro com os comandos específicos da sensação. E mesmo sabendo que meus olhos me enganam a todo momento, eu ainda prefiro neles acreditar.
Mas para sentir inteiramente, por dentro e por fora, é também necessário mantê-los fechados.
A eternidade também não é assim?
Um comentário:
Ainda terei o prazer de escrever contigo.. =D
Simplesmente demais e prometa pra mim, nunca pare de escrever tá ? ahhaaha ;**
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