sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu juro que (não)

Eu juro. Eu juro que não quero mais, não me quero mais. Mas a frequência das incertezas só se torna maior enquanto eu tento fugir de mim.
Talvez fugir não seja a solução - e isso é tudo que eu tenho feito ultimamente. Talvez o espasmo doloroso da realidade seja o último pedido necessário. Sofrer seria então somente mais um detalhe na alegria da vida, até porque eu já nem me recordo mais como é viver sem dor.
E assim talvez eu enxergaria, como antes quando era inocente, o caminho sem seus obstáculos e sem suas curvas tortuosas que me derrubam quase todos os dias.


Eu vejo com mais clareza agora... depois de tanto tempo nesse marasmo que me obriga a me desfazer inteira e sentir vontade de não viver (não de morrer, mas de não viver). Eu entendo melhor que minha visão possa sim estar equivocada e que o julgamento alheio não é tão peculiar quanto o dos meus próprios fantasmas.


Eu sonhei com um dos meus fantasmas hoje. Foi um tanto assustador porque ele me devorava e eu pedia ajuda de Deus. Mas então eu acordei e ... Não tinha mais nada - só todo o resto da minha existência me encarando de frente. E eu pensei, por alguns segundos, se preferia voltar ao pesadelo ou abrir os olhos. 


É porque meus olhos ainda não estavam abertos. Abrir os olhos significa se mostrar ciente da vida e tudo o que eu mais queria era não estar ciente. Acredito que naquele momento eu tenha preferido voltar a ser devorada no sonho - a realidade assustava mais.


Ah... já faz tanto tempo. Eu me sinto doente mas me sinto bem quando a dor é toda esvaziada em lágrimas. Também me sinto bem quando estou anestesiada pela alegria e quando me sinto curada. A troca seria da felicidade, perene, pela alegria instantânea de se entorpecer.


Mas a efemeridade da vida as vezes é tão mais bonita! É uma pena que machuque tanto.


Um comentário:

Amanda Martins disse...

genial! parabéns jac :)